CCZ adotará nova visão de trabalho para populações de cães e gatos

corumba 16 de Maio de 2014

Com a ampliação do prédio e parcerias entre ONG’s, instituições de pesquisa e a Polícia Militar, a Prefeitura de Corumbá, por meio do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da Secretaria de Saúde, passará a adotar uma nova visão de trabalho com relação à população de cães e gatos da cidade.

 

No início de maio o recebimento dessas espécies foi interrompido temporariamente, até que se concluam as obras de ampliação da unidade localizada no bairro Guató. Apesar do local não ser destinado para abrigo de animais, muitas pessoas entregavam cães e gatos ao Centro quando estes, apesar de saudáveis, não serviam mais aos interesses de seus proprietários.

 

Uma dura realidade que reflete ainda a profunda falta de sensibilidade e consciência de muitas pessoas, que tratam esses seres como objetos, segundo relata Walquíria Arruda da Silva, chefe do CCZ de Corumbá.

 

“Muitos donos nos procuravam dizendo que o cão estava contaminado quando, na verdade, estavam saudáveis, mostrando que não se importam com a vida daquele animal. Alguns chegam dizendo que não querem mais o animal porque dá muito trabalho, faz muito xixi e cocô”, conta ao classificar esta atitude como “banalização da vida animal”.

 

De acordo com ela, 90% dos gatos que chegavam ao CCZ não manifestavam nenhuma doença que justificasse a eutanásia. Também era recorrente o abandono de cadelas prenhas que davam à luz no local. Situações que confrontam o conceito de posse responsável, na qual o dono tem que prover ao animal todas as condições para uma vida saudável.

 

“Estamos adotando uma linha mais humanizada, cobrando a responsabilidade do proprietário. Fazer o vizinho e demais pessoas saberem que também são responsáveis a partir do momento quando percebem algo errado, e não realizam denúncia diretamente a Polícia”, afirmou ao lembrar que maus tratos contra animais é considerado crime ambiental, segundo o artigo 32, da Lei 9.605/98, e prevê de 3 meses a um ano de detenção, além de multa.

 

Com as obras de ampliação do prédio do CCZ, será criada uma área destinada para animais saudáveis e outra para os diagnosticados com alguma doença, evitando que mais animais sejam contaminados. O atual canil será transformado no espaço para adoção.

 

“O animal só vai ser eutanasiado após passar por uma avaliação, exames que atestem que ele não pode ser tratado. Do contrário, será feito uma conscientização com o dono e, se mesmo assim, ele não quiser mais o animal, este será colocado para adoção”, falou.

 

Quantos são?

 

Ainda dentro dessa nova visão, o CCZ por meio dos agentes de endemias, irá realizar um levantamento das populações canina e felina de Corumbá.

 

“Vamos aproveitar o acesso dos agentes às residências, e recolher essas informações que nos fornecerá dados sobre a realidade do município”, explicou Walquíria ao destacar que este trabalho será inédito em Corumbá.

 

A partir da meta estipulada para a vacinação antirrábica, que é de 22 mil animais, Walquíria projeta uma população ainda maior, que pode chegar aos 30 mil em toda cidade.

 

Castração e adestramento necessários

 

Outra ação que deve ter início nos próximos dias é a castração, medida que evita a reprodução desordenada de cães e gatos. A prática da cirurgia que retira a capacidade de reprodução dos bichos estava paralisada, mas voltará a acontecer em parceira com ONG e veterinários particulares.

 

O CCZ já conta com um trailer que poderá ser levado para zona rural, onde também há uma grande demanda por esse tipo de intervenção cirúrgica nos animais.

 

Pretende-se ainda, por meio de parceria, implantar o programa de adestramento de cães. Assim, além de poder entregar um animal já castrado, ele seguirá aos novos donos com noções de comando. Essa ação ainda envolverá outro viés, que é a formação profissional, já que pretende formar jovens para atuarem como adestradores.

 

“Iniciamos a conversa com a Polícia Militar e a intenção é que o adestramento possa, além de trazer um diferencial ao cão, ofertar ao jovens a conquista de uma profissão”, comentou Walquíria ao adiantar que novas ações em prol da comunidade animal de Corumbá estão sendo estudados junto a universidades.