FASP: Quebra Torto une café da manhã pantaneiro e a literatura de quatro mulheres

Com uma mesa composta por quatro escritoras e o famoso café da manhã pantaneiro, o Quebra Torto com Letras, inaugurou sua 15ª edição, na manhã desta sexta-feira (15), no Café Moinho. 

A diretora presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Mara Caseiro, fez a abertura do evento e falou da importância de sempre investir na cultura. “Investir em arte é investir no ser humano. E o quebra torto traz a união da cultura e gastronomia com o café da manhã tradicional da região pantaneira. Divulgar esta e tantas outras culturas do nosso Estado é algo muito importante, e me sinto honrada em dizer que nesses quatro dias Corumbá é o coração da América”.

Apaixonada pela cultura pantaneira e responsável pelo quebra torto de todos os festivais, Lídia Aguilar Leite, fala do seu orgulho em poder divulgar sua cultura através da gastronomia. “Sou corumbaense e pantaneira. Fui criada na fazenda e vivencio isso há muito tempo. Nos últimos anos temos visto a cultura se perder, por isso a importância de festivais e encontros como esse acontecer, e eu me sinto muito orgulhosa em fazer parte disso”.

Pela primeira vez no evento, a psicóloga e escritora Danielle Ferreira fala do sentimento em participar do evento e sobre seu livro. “Estar aqui é muito significativo porque locais como esse foram negados historicamente pelo nosso povo, então estar aqui significa que nós conseguimos e que a nossa voz foi escutada. Odara é uma obra que significa muito pra mim e formar a visão de crianças negras e não negras é algo revolucionário”.

Marcelle Saboya Ravanelli, é gerente do Sesc Corumbá e amante confessa da literatura. Emocionada, ela fala da experiência de mediadora. “Tivemos quatro mulheres de representatividade muito características, uma ambientalista, uma tradutora do cotidiano, uma mulher negra que aborda o empoderamento feminino negro e a Noemi, que é uma referência nacional na literatura”.

Formada em letras, Marcelle afirma que a literatura é sua paixão e que ela tem o poder de transformar o leitor e despertar a capacidade crítica das pessoas. “A literatura pode ter infinitas variações, como a boneca, o livro objeto, o livro infantil, o paradidático, o de literatura histórica. Hoje tivemos muita riqueza dentro de uma mesa só. E quando me perguntam o motivo de defender a arte, gosto de usar a definição que Fernando Pessoa usa e que Fernando Goulart se apropriou e disseminou no Brasil, que é a que a arte existe porque a vida não basta. É por isso que um festival como este faz do ser humano um ser completo”.

Realizado com investimento público da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul e patrocínio da Energisa, Vale, Caixa Econômica Federal e Governo Federal, o 15º Festival América do Sul Pantanal (FASP) conta com apoio e parceria da Prefeitura Municipal de Corumbá. São parceiros Sanesul (Empresa de Saneamento Básico de Mato Grosso do Sul), Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), MS Gás  e Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).

Texto: Fundação de Cultura de MS

Foto: Renê Marcio Carneiro/PMC