Paciente do CAPS ad se liberta do álcool e retoma vida profissional

Edmilson da Costa só percebeu que estava exagerando no uso do álcool quando foi socorrido pelo SAMU em 2009, a pedido da própria mãe. Mesmo depois de ser hospitalizado, percebeu que não conseguia mais parar de beber e, por não ter procurado ajuda, continuou no vício. A partir de então, sua situação começou a ficar pior. “Minha mãe tinha que trancar a casa porque eu estava começando a trocar minhas roupas e coisas da casa por álcool”, contou Edmilson.

 

Paciente do CAPS ad desde 17 janeiro de 2017, desde então sem ingerir nenhuma gota de álcool, ele contou que não foi fácil admitir que estava doente, mas com ajuda da mãe e da equipe do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas, conseguiu iniciar o tratamento. Dos 40 anos de idade vividos, passou 29 no vício do álcool, problema que o deixou sem condições de construir uma família. “Nesse período tive três mulheres, mas nenhuma me aguentou e não tive filhos com elas”, disse.

 

Edmilson expõe com orgulho o quadro que conseguiu pintar durante período de atividades diversas realizadas no CAPS ad. Além de pintura, ele passou por consultas com o clínico geral do Centro, além de sessões com psicólogos, diálogo com equipes do Alcoólicos Anônimos e da Pastoral da Sobriedade (parceiros da instituição).

 

“Parar com o álcool melhorou muito a minha vida, estou em paz com a minha família que eu não tinha mais, eu estava um verdadeiro ‘farrapo’ humano, estava já jogado pelas ruas, saí de casa e comecei a viver como um mendigo. Minha mãe não tinha forças para me tirar do vício, eu era teimoso e agressivo, brigava com ela e com minhas irmãs. Consegui me libertar dessa doença depois que vim para o CAPS ad. Sei que é incurável, mas estou conseguindo combatê-la com ajuda da equipe aqui. Todos eles são ótimos”, relatou Edmilson.

 

Conforme ele, “muitas coisas boas” estão chegando depois que largou o vício. Conseguiu serviço através do projeto Reabilitar, da Secretaria Municipal de Assistência Social, está realizando curso de pedreiro, também conquistado com ajuda do CPAS ad, e pretende passar a trabalhar nessa função e construir a própria casa. “Meu objetivo é conseguir de volta várias coisas que perdi, mas não olho para trás, o que passou, passou. Tenho vários planos para minha vida. Minha mãe, minhas irmãs e minhas sobrinhas estão de bem comigo e os amigos que se afastaram de mim por causa da bebida voltaram a conversar comigo”, disse.

 

Os velhos amigos que voltaram a conversar com ele explicaram o motivo do afastamento. Da mesma maneira que eles fizeram, Edmilson também tem feito com os “amigos” que conquistou no período do vício. “Estou me afastando deles porque dessa maneira consigo me manter longe do álcool. Não adianta parar e continuar convivendo com eles porque eu sei que posso recair”.

 

Quando o problema começou, Edmilson trabalhava na fazenda e, ao vir para a cidade, trocava todo o salário por bebida e acabava sem nada. Os serviços pararam de aparecer para ele porque já não conseguia ter responsabilidade com nada. Somente agora é que as oportunidades estão retornando. “Tem que ser devagarinho. Aos poucos vou conseguindo. Surgiu serviço para trabalhar com dinheiro, mas recebi orientação aqui e percebi que não estou preparado para isso. Estou conseguindo aos poucos viver essa nova vida que estou tendo agora a partir dos 40 anos. Eu quero ter uma família e ter filhos e só quero contar coisas boas a eles, não quero que eles passem pelo que passei”.

 

Onde encontrar o CAPS ad


No dia 04 de março, o Centro de Atendimento Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS ad) completou 10 anos de existência. Ele é um serviço ambulatorial que está sempre de portas abertas para ajudar pessoas que se sentem prejudicadas pelo uso do álcool e das drogas. Os interessados podem procurar atendimento das 07h às 17 horas, de maneira espontânea ou encaminhada. Em Corumbá, ele fica localizado na rua Cabral, nº 1208, entre as ruas Sete de Setembro e 15 de Novembro. O telefone de contato é o (67) 3907-5427.

 

*Com ajuda do CAPS ad, mulher retoma a vida depois de quase 20 anos nas drogas