Defesa Civil emite boletim de alerta de risco moderado de inundação

A Agência Municipal de Proteção e Defesa Civil de Corumbá emitiu nesta segunda-feira, 19 de março, o primeiro boletim de alerta de risco de inundação de 2018. Conforme levantamento realizado in loco por técnicos da Defesa Civil, o risco na região é considerado moderado.

 

“O nível do Rio Paraguai atingiu a sua cota de alerta na data de 17 de março, que é de 4,00 metros, estando até a data de hoje, 19, com 4,03 metros, logo com 2,01 metros acima do seu nível de redução, com comportamento de continuada elevação, demonstrando força de atingir níveis mais abrangentes”, afirmou o diretor-executivo da Defesa Civil, Isaque do Nascimento.

 

De acordo com as principais instituições que realizam prognósticos sobre o comportamento da cheia no complexo pantaneiro, o Rio Paraguai continuará em ascensão para as próximas semanas, podendo atingir níveis mais elevados e, de algum modo, gerar perturbação ao funcionamento da rotina para as populações ribeirinhas e para os empreendimentos que tenham conectividade ou influência desse principal rio pantaneiro.

 

O boletim de alerta, que será publicado no DIOCORUMBÁ, tem objetivo de subsidiar as ações de proteção ambiental, o manejo campestre, o manejo pastoril, a navegação fluvial, as atividades econômicas ativas no complexo pantaneiro e a programação regional das comunidades tradicionais que habitam nas regiões das águas, com procedimentos preventivos e preparativos frente ao evento adverso que se avizinha, com vista a evitar ou minimizar os danos humanos, materiais ou ambientais.

 

Inundação gradual

 

A Agência Municipal de Proteção e Defesa Civil de Corumbá vem acompanhando a inundação gradual do Rio Paraguai que já vem se desenvolvendo nos últimos meses. Foram notadas algumas características incomuns para o período, como por exemplo a chegada antecipada das águas originárias do planalto, mais especificamente na região norte,  onde nos últimos tempos tem havido uma precipitação pluviométrica constante e com acentuado volume.

 

Acrescenta-se a essa dinâmica as precipitações pluviométricas, que também continuam persistindo no pantanal sul. Os tributários do Rio Paraguai, como os Rios Taquari, Miranda, Aquidauana, Negro e outros que estão tendo níveis expressivos, acabam também de algum modo influenciando e impactando a cheia nesse complexo pantaneiro.

Alto Pantanal

 

No mês passado, uma equipe da Prefeitura de Corumbá percorreu, de barco, todo o trecho do Porto Geral até a Barra do São Lourenço. Foi realizado o mapeamento das famílias ribeirinhas e também realizado um diagnóstico de avaliação sobre a inundação do Rio Paraguai na região do alto Pantanal.

 

O trabalho consistiu no deslocamento da equipe até as comunidades, visitando suas  casas desde nossa saída  do Porto Geral até a Barra do São Lourenço, passando pelas regiões do Tuiuiú, Piúval, Capim Gordura, Domingos Ramos, Castelo, Ilha Verde, Paraguai Mirim, São Francisco, Mato Grande, Bonfim, São Pedro, Chané, Amolar e Barra do São Lourenço.   Foram aproximadamente 220 quilômetros percorridos em cinco dias.

 

Este ano por conta da antecipação das chuvas no planalto e nas cabeceiras do  rios Paraguai e São Lourenço (Cuiabá), fatores preponderantes para gerar uma certa preocupação e expectativa de uma cheia que já vem se evoluindo,  preocupando não só as comunidades que habitam nosso rincão pantaneiro, mas como também o executivo municipal.

 

Histórico

 

Segundo a fundamentação da EMBRAPA Pantanal, historicamente quando o nível máximo do rio Paraguai, em Ladário, se iguala ou supera o nível de alerta de enchente, que é de 4,0 metros, o ano é considerado de cheia no pantanal, caso contrário, como sendo de seca. Quando o pico de cheia fica compreendido entre 4  e 4,99 m, como sendo de cheia pequena, entre 5 e 5,99 m como de cheia normal e igual ou superior a 6,0 m como cheia grande ou super cheia.

 

É importante destacar o registro das três maiores cheias já ocorridas: Em 1988 ocorreu a maior cheia já registrada em nossa região, com 6,64 metros; em 1905 a segunda maior cheia, quando foram registrados 6,62 metros; e em 1995 a terceira maior cheia , com 6,55 metros na régua de Ladário.