Fundador da Cidade Dom Bosco, padre Ernesto Sassida faria hoje 98 anos

Em 15 de outubro de 1919 nascia, na Eslovênia, o padre Ernesto Sassida. Natural de Dornberk, região agrícola da Gorízia, província a oeste da Eslovênia, no Leste Europeu, batizado como Ernesto Saksida, o religioso se tornaria uma figura religiosa proeminente e um educador exemplar. Naturalizado no Brasil em 1972, passou a se chamar Ernesto Sassida. Foi o fundador da Cidade Dom Bosco, reconhecida mundialmente pelo trabalho educacional, profissional e cristão que desenvolve em prol, principalmente, das crianças e jovens carentes da comunidade corumbaense e da região. Falecido em 13 de março de 2013, se estivesse vivo, faria hoje 98 anos.

 

Sua predisposição à atividade religiosa foi percebida logo na infância, quando aos sete anos de idade chamava a atenção pela dedicação aos estudos e por lampejos de solidariedade. Precocemente desenvolveu interesse pelo seminário e em se tornar padre, entusiasmando-se pelas ações de Dom Bosco e dos missionários salesianos em todos os continentes, principalmente na América do Sul. Aos nove anos, ingressava no Pré-Seminário Diocesano. O ambiente familiar o levou a dar passos firmes à vida sacerdotal, já que seu pai criou os filhos no respeito e na religiosidade, sendo Ernesto Sassida o caçula de onze irmãos, todos cantores do Coral da Igreja Paroquial, criado e dirigido por pelo pai de Ernesto, o senhor Josef Saksida. Padres da Itália ofereceram ao jovem uma vaga no Aspirantado Missionário Salesiano de Bagnolo, em Turim, Itália, para onde Ernesto rumou, a fim de fazer ginasial em regime de internato.

 

Aos 15 anos, partiria para as missões, 16 de junho de 1935. Ele e seus amigos pararam pela primeira vez em solo brasileiro no porto de Recife, em Pernambuco, onde alguns ficaram. A próxima parada foi no Rio de Janeiro e logo em seguida em Santos, porto final para ele e mais três colegas que atuariam na Missão de Mato Grosso. O trem subiu para São Paulo, onde conheceu, por quinze dias, as obras da Missão Salesiana. Seguindo em direção à Cuiabá, chegou ao Porto Esperança, seguindo viagem de 10 horas até despontar em Corumbá, segunda cidade mais importante de Mato Grosso, tomando a decisão de ser sacerdote no Pantanal.

 

Ernesto passou quatro anos no seminário da Arquidiocese de Cuiabá, sendo admitido oficialmente na Congregação Salesiana, depois de um ano de noviciado, iniciando o curso de filosofia. Aos 19 anos, foi escolhido para se tornar orientador pedagógico no Colégio Santa Teresa, em Corumbá. Por quatro anos, realizou atividades com grupos de alunos organizando auxiliares nos campos educativo e recreativo. Teve, então, que se ausentar para cursar teologia no Instituto Teológico Pio XI, no bairro da Lapa, em São Paulo. Pouco mais de 26 anos tinha o diácono Ernesto Sassida quando recebeu em São Paulo a ordem do Presbiterato, ao término dos quatro anos do curso de teologia. Depois de 12 anos da despedida de sua casa, na Eslovênia, tornou-se padre no Brasil. Já como padre, por três anos exerceu seu ministério em Goiás e retornou para Corumbá, em 1950.

 

Na década de 1960, era comum o padre realizar trabalho de arrecadação e doação de alimentos. Ele já lecionava no Colégio Santa Teresa e ajudava os mais necessitados com alimentação. Nessa época, começou a visitar inúmeras casas em bairros de periferia com a imagem de Nossa Senhora Auxiliadora. Rezando o terço e benzendo as casas, fazia essa atividade sempre depois de seus serviços pedagógicos. Para ele, a situação de miséria remetia a cenas da Primeira Guerra Mundial contadas por seu pai. Ao longo de um ano, foram incontáveis horas dedicadas aos pobres, visitando em torno de mil barracos. Ele viabilizou a Rádio Difusora e, em 60 minutos de programa, usava o espaço para solicitar alimentos, medicamentos, roupas e tudo o mais que pudesse contribuir com os mais necessitados. Foi quando teve ideia de fundar uma grande obra para se dedicar integralmente aos mais necessitados, decidindo pela criação da Cidade Dom Bosco.

 

Ele pensou em fundar uma escola inteiramente gratuita e que pudesse educar de maneira mais ampla os estudantes, oferecendo suporte religioso, estimulando a prática esportiva, oferecendo ensino de alto nível e profissionalizante, além de serviços de saúde. A pedra fundamental da Escola Profissional Alexandre de Castro, que viria a ser da Cidade Dom Bosco, foi lançada em 05 de novembro de 1961, quando o trabalho social do padre Ernesto já tinha grande credibilidade no Estado. Vários jornais no Brasil já publicavam sobre a dimensão missionária da obra do padre. No exterior palestrou várias vezes sobre a situação da criança pobre no Brasil e conseguiu recursos e donativos, dentro e fora do território brasileiro, para a construção da Cidade Dom Bosco. Ele lançou também o Programa de Adoção à Distância, pilar central da Cidade Dom Bosco.

 

Hoje, a Cidade Dom Bosco é considerada uma obra social religiosa que possui o nome “cidade” devido aos inúmeros setores que compõe a obra, como Escola, Paróquia, Centro Profissional, Assistência Social, Projeto Criança e Adolescente Feliz (PCAF), Menor Aprendiz, Sino da Caridade, CENPER (Centro Padre Ernesto de Promoção Humana e Ambiental), Clube de Mães, Clube dos amigos do Padre Ernesto, União dos Ex-Alunos da Cidade Dom Bosco, entre outros. A Missão Salesiana de Mato Grosso, a comunidade e as autoridades apoiam e favorecem as atividades da Cidade Dom Bosco.

 

*Informações extraídas da revista do Cinquentenário da Cidade Dom Bosco.