Bolivianos celebram 192 anos independência com ato cívico em Corumbá

Os 192 anos de independência da Bolívia foram comemorados na manhã desta sexta-feira, 04, de agosto, com um ato cívico-cultural no Jardim da Independência, área central de Corumbá, promovido pelo Consulado boliviano. Autoridades civis e militares do Brasil e Bolívia participaram da cerimônia.

 

Representando o prefeito Ruiter Cunha de Oliveira, o assessor especial José Antonio Assad e Faria, destacou a importância da data para a comunidade da fronteira. “Esse dia em que rememoramos a libertação de um povo irmão, nos mostra que independência é uma luta contínua que se trava todos os dias. Nós, aqui de Corumbá, juntamente com os bolivianos de Puerto Quijarro e Puerto Suárez, temos nossas características próprias, vivemos no Pantanal. Cabe a nós, prosseguirmos numa trajetória de união para construirmos um futuro com progresso e qualidade de vida para todos”, disse. O cônsul da Bolívia em Corumbá, Armando Pacheco Gutierrez, lembrou a data histórica e exaltou a união dos povos brasileiros e bolivianos que vivem nessa faixa de fronteira.

 

No domingo, 06 de agosto, – data da independência boliviana – acontece a comemoração em louvor a Nossa Senhora de Copacabana, padroeira da Bolívia. Às 14 horas, está marcada a celebração da missa no Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora; seguido por um desfile cultural pelas ruas de Corumbá com destino à fronteira.

 

Uma característica das festividades em louvor a Virgem de Copacabana é acontecer nos dois lados da fronteira entre Brasil e Bolívia. Ao lado brasileiro, são reservadas as partes religiosa (missa) e folclórica (entrada), com o desfile de devotos em grupos de danças tradicionais pelas ruas da cidade; e ao lado boliviano, a festa com mais dança, comida e bebida.

 

História

 

Relatos históricos afirmam que a Independência da Bolívia em relação ao domínio Espanhol foi um desdobramento do fato ocorrido em 16 de julho de 1809, quando um grupo da elite crioula (brancos de ascendência espanhola nascidos na América), liderado por Pedro Domingo Murillo, realizou a Revolução de Julho, uma declaração de independência que acabou não durando muito tempo.

 

Esse momento histórico causou polêmica recentemente quando o atual governo do presidente Evo Morales excluiu do calendário de comemorações aos 200 anos da data a metade oriental da Bolívia, que engloba as províncias de Santa Cruz, Tarija, Beni e Chuquisaca, todas contrárias ao governo. Morales diz que o movimento de 1809 foi somente um desdobramento de levantes de tribos indígenas em 1781 — algo que os historiadores afirmam terem sido apenas eventos isolados contra a repressão, e não tinham como objetivo a independência do país.

 

Dezesseis anos após a Revolução de Julho, foi consolidada a independência boliviana, em 06 de agosto de 1825. Simón Bolívar, conhecido como o Libertador da América, foi o primeiro presidente da Bolívia, que recebeu este nome em sua homenagem. Até então, o território era chamado de Alto Peru. Ao longo de sua história, o país acumula inúmeras revoluções e golpes militares. Em 1980, a democracia foi restaurada após a destituição de uma junta militar.