Encontro discute ações para combater preconceito, desigualdades raciais e sociais

Um grande debate marcou a celebração do Dia Internacional da Mulher Negra, Latino Americana e Caribenha na tarde da terça-feira, 25 de julho, em Corumbá. Por meio da Secretaria Especial de Cidadania e Direitos Humanos, a Prefeitura Municipal, promoveu discussões sobre violência contra a mulher e anemia falciforme, além de uma conversa motivacional que abordou o empoderamento feminino.

 

O prefeito Ruiter Cunha de Oliveira acompanhou o evento e destacou, em discurso, a necessidade de ações que combatam o preconceito. “Temos que continuar construindo políticas públicas que definitivamente afastem questões referentes à discriminação de gênero, racial e contra as mulheres no nosso meio. A Secretaria Especial de Cidadania e Direitos Humanos e a Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial estão empenhadas em fazer isso”, afirmou o chefe do Executivo corumbaense ao reforçar o “compromisso e comprometimento” de sua gestão com a promoção da cidadania.

 

Coordenadora de Promoção da Igualdade Racial, Maria Angélica de Jesus Timóteo Amorim ressaltou que o “Encontro de Mulheres Negras” buscou “refletir sobre a situação de violência que a mulher negra sofre no país”. O evento também buscou a construção de estratégias para a inserção de temáticas voltadas para o enfrentamento ao racismo, sexismo, discriminação, preconceito e desigualdades raciais e sociais.

 

A palestra sobre anemia falciforme foi feita pelo professor Davi Vital do Rosário. O debate “A violência contra a mulher”, que abriu o “Encontro de Mulheres Negras” foi da professora doutora Cláudia Araújo de Lima (UFMS) e conversa motivacional ficou a cargo da professora Jane Contu. A secretária Especial de Cidadania e Direitos Humanos, Beatriz Cavassa de Oliveira, e o vice-prefeito e diretor-presidente da Funec, Marcelo Iunes, participaram do encontro.

 

A data

 

O Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha foi criado em 25 de julho de 1992, durante o I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, em Santo Domingos, República Dominicana, quando a data foi definida como o marco internacional da luta e da resistência da mulher negra.

 

No Brasil, a data também é nacional, foi instituída por uma Lei de 2014, sancionada pela então presidente Dilma Rousseff, como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Tereza de Benguela é considerada uma grande guerreira mato-grossense e símbolo da resistência negra no Brasil colonial. Uma liderança quilombola que viveu no século XVIII, companheira de José Piolho, que chefiava o Quilombo do Quariterê, nos arredores de Vila Bela da Santíssima Trindade, Mato Grosso. Quando José Piolho morreu, Tereza assumiu o comando daquela comunidade quilombola e liderou levantes de negros e índios em busca da liberdade revelando-se uma grande líder.

 

Apesar da pouca representatividade na história oficial do país, Tereza é comparada ao líder negro Zumbi dos Palmares, a “Rainha do Pantanal” do período colonial. Sobreviveu até 1770 e não se sabe ao certo como morreu, mas morreu lutando.