Equipe do Povo das Águas realiza reunião e servidores relatam experiências

Na manhã desta quinta-feira, 22 de junho, equipe que vai participar da primeira edição do ano do Programa Social Povo das Águas realizou primeira reunião técnica na sede da Secretaria Especial de Cidadania e Direitos Humanos. Cerca de 25 servidores municipais vão levar atendimento aos moradores da região do Taquari a partir do dia 25 de junho. Durante uma semana, os profissionais vão trabalhar para melhorar a qualidade de vida desses moradores, levando os recursos possíveis do Município, em diversas áreas, àqueles cidadãos.

 

A viagem, realizada através do Barco Antares, vai sair do Porto Geral às 18 horas de domingo. Elisama de Freitas Cabalhero, coordenadora do Programa Social Povo das Águas, afirmou que como a região é de difícil acesso, a segurança dos servidores é uma das prioridades da comissão organizadora da ação. Durante toda a viagem, a equipe sempre vai se reunir para que orientações básicas, especialmente na questão da segurança, sejam reforçadas.

 

A embarcação deve levar cerca de treze horas de viagem até o ponto de parada. “Lá dentro, temos comunidades menores que funcionam em lugares distantes. Nós nos deslocamos de barco a motor, são seis barcos para levar todos os servidores até as localidades. A cada dia, faremos atendimento em uma colônia. É um lugar de difícil acesso, o ciclo das águas muda constantemente no Rio Taquari, principalmente por causa do assoreamento, na verdade é um braço bem estreito do rio e é nesse sentido que a gente frisa a questão da segurança”, explicou Elisama.

 

Segundo ela, está tudo pronto para as atividades começarem. O Programa Social continua recebendo doações de agasalhos para levar aos ribeirinhos. Casacos, roupas de frio, botas, sapatos fechados, tênis, meias, luvas, toucas, tudo em bom estado de conservação pode ser entregue na sede da Secretaria Especial de Cidadania e Direitos Humanos até o final de semana.

 

“A equipe toda está bastante ansiosa. Sabemos das necessidades, principalmente do povo do Taquari, no sentido de atendimento médico, odontológico, por parte da assistência social, educação, de todas as secretarias que integram o programa. Há um desejo de estarmos revendo logo esses ribeirinhos e dizendo que o poder público mais uma vez se faz presente nesses locais com o carinho da nova administração e da criadora do programa. Estamos retomando essas atividades com bastante ânimo, bastante vontade de fazer cada dia mais o que há de melhor para os ribeirinhos”, afirmou Elisama.

 

Servidores falam de experiências com o programa e expectativas sobre a ação no Taquari


Lilia Maria Gouveia Bezerra participa de ações com os ribeirinhos há nove anos. Ela integra o rol de profissionais da Secretaria de Assistência Social e é responsável pelo CRAS itinerante. Lilia contou que essa modalidade de CRAS surgiu em 2011, mas, antes disso, a servidora, com ajuda de mais uma assistente social, conseguiu cadastrar praticamente todas as famílias ribeirinhas, inserindo-as nos programas do Governo Federal. “É uma coisa que emociona, eu não sou a Lilia que eu era antes. Realmente, essas famílias transformam a gente, faz a gente ver o mundo de outra forma, principalmente essas da região do Taquari, de acesso mais difícil. São pessoas felizes que não querem sair de lá, então, é nossa função enquanto poder público fazer com que elas tenham qualidade de vida na região onde moram”, disse.

 

De acordo com Lilia, a forma de vida dos ribeirinhos ensina bastante a quem vive na cidade. “São pessoas humanas, maravilhosas, que pensam umas nas outras. Hoje em dia, se eu não for até eles, fico achando que vou morrer porque eles já fazem parte da nossa vida. Nunca deixo de ir, só não vou se for por motivo de saúde ou algo grave. Até hoje, deixei de ir no máximo a três ações nesses anos todos”, relatou.

 

Ela afirmou que em uma das ações do programa, chegou a conhecer três gerações de uma mesma família que não tinham nenhum tipo de documentação e, por conta disso, os benefícios de programas sociais do Governo Federal eram inacessíveis a esses ribeirinhos. “Nós, enquanto assistência social, fizemos todos os encaminhamentos, muitas vezes somos testemunhas em cartório de nascidos vivos, de crianças que estão há anos sem certidão de nascimento. Podemos dizer que hoje em dia 80% das famílias ribeirinhas estão inseridas no Cadastro Único do Governo Federal. A cada ação nossa, nos deparamos com situações diferentes”, destacou.

 

Desde 2016, o dentista Juliano Fernandes de Barros participa do Programa Social, tendo atendido ribeirinhos em pelo menos sete ações. “Esse é um programa que tem uma extrema importância. Como não podemos levar o hospital ao povo ribeirinho, nós tentamos integrar, da melhor forma possível, a saúde como um todo a essas pessoas, incluindo a saúde bucal. Além das doenças que a gente ocasionalmente encontra, como cáries, muitas vezes a gente pode encontrar início de câncer na boca que quando descoberto cedo, aquele problema se torna muito menor do que poderia se tornar, caso não houvesse diagnóstico precoce”, disse.

 

Não é a primeira vez que o dentista trabalha com povos com menos acesso aos recursos que existem nas cidades. Ele já teve a experiência de prestar serviço odontológico por dois anos a indígenas no Amazonas. “É um tipo de trabalho que gosto de executar. Quando vim trabalhar na Prefeitura, já olhava esse projeto com olhar diferente, mas logo que cheguei a Corumbá não consegui entrar no grupo que já estava formado. Quando houve a primeira chance para entrar nessa equipe, logo agarrei a oportunidade e estou aqui. Eu sou de Corumbá, saí para estudar e voltei depois de dez anos. Hoje, posso dizer que conheço o pantanal e o povo ribeirinho, coisa que não conhecia antes. Fui conhecer povos indígenas do Amazonas para depois vir conhecer os ribeirinhos da nossa região”, contou o dentista.

 

Há três anos como servidora do Município, a enfermeira Patrícia Valenzuelo vai participar pela primeira vez do Programa Social Povo das Águas. Ela resolveu se voluntariar porque gosta da área ribeirinha e frequenta essas localidades a passeio, visitando fazendas de colegas. “Já trabalho na zona rural que é parcialmente parecida com a população ribeirinha e eu já sei que é um trabalho muito gratificante. A expectativa é que seja realmente uma viagem proveitosa e que a gente consiga desenvolver uma ação com atendimento de qualidade porque a gente sabe que a necessidade impera. O motivo principal de eu ir é o amor à profissão e, em segundo lugar, é suprir a necessidade das pessoas que estão nos esperando”, disse Patrícia.