Cerimônia marca celebração dos 150 anos da Retomada de Corumbá

Os 150 anos da Retomada de Corumbá foram celebrados em uma solenidade no Jardim da Independência, na manhã desta terça-feira, 13 de junho. A data marca a expulsão das tropas paraguaias que ocupavam a região de Corumbá, na então província de Mato Grosso, em função da Guerra contra o Paraguai (também chamada de Guerra da Tríplice Aliança).

 

A cerimônia, que durou aproximadamente 40 minutos, foi marcada pela entrega da Medalha Comemorativa ao Sesquicentenário do Conflito da Tríplice Aliança para personalidades e representantes de instituições que realizam trabalhos de preservação e divulgação do patrimônio imaterial do Exército Brasileiro. O prefeito Ruiter Cunha de Oliveira foi homenageado com a Medalha. Outras 23 autoridades civis e militares também receberam a condecoração.

 

Durante a solenidade, foi prestada homenagem aos pés da estátua do marechal Antônio Maria Coelho – herói da Retomada – que recebeu um fuzil histórico, colocado em um dispositivo instalado no local, pelo prefeito Ruiter Cunha de Oliveira e pela trineta do herói, Dória Coelho. Ambos estavam acompanhados pelos comandantes do 6º Distrito Naval, contra-almirante Luiz Octávio Barros Coutinho, e da 18ª Brigada de Infantaria de Fronteira, general-de-brigada João Denison Maia Correia.

 

“A data marca um momento da nossa história, um momento já superado nas relações entre os povos do Brasil e do Paraguai. Estamos aqui para resgatar valores históricos que são o ingrediente mais importante da nossa nacionalidade. Para Corumbá é importante que seu povo não esqueça essa data. Os valores da nacionalidade é que vão construir e sedimentar o nosso patriotismo. O Brasil de hoje precisa muito, que busquemos na nossa história, esses valores para que possamos olhar para o futuro e construir um Brasil que nossas crianças mereçam morar e viver”, afirmou o comandante da 18ª Brigada.

 

O prefeito Ruiter Cunha destacou os laços de amizade existentes entre corumbaenses e paraguaios. “Desde então [Retomada], a nossa relação com o Paraguai mudou completamente, somos ‘hermanos’ e convivemos em um contexto de paz, respeito e cooperação. Nossos desafios daqui em diante envolvem a busca pela integração dos povos sul-americanos, pelo fortalecimento das regiões de fronteira e pela cooperação internacional. Enquanto no mundo impera um cenário de acirramento e fechamento de fronteiras, de construção de muros e mesmo de ameaças de velhas e novas guerras, nós aqui da fronteira vivemos um ambiente de parceria tanto com o Paraguai quanto com a Bolívia”, declarou o chefe do Executivo Municipal.

 

A solenidade desta terça-feira também lembrou os 71 anos e criação da 18ª Brigada de Infantaria Ricardo Franco, que é a sucessora histórica do Comando Geral da Fronteira Sul da Capitania de Mato Grosso e dos outros comandos que estabeleceram e mantiveram os limites da fronteira Oeste do Brasil. É diretamente subordinada ao Comando Militar do Oeste (CMO). A denominação atual foi definida pelo decreto 92.170, de 18 de dezembro de 1985.

 

A Retomada

 

O dia 13 de junho marca a expulsão das tropas paraguaias que ocupavam a região de Corumbá, na então província de Mato Grosso, em função da Guerra contra o Paraguai. Em janeiro de 1865, Corumbá e o Forte de Coimbra foram militarmente tomados por tropas paraguaias lideradas pelos coronéis Vicente Barrios e Izidoro Resquin. A missão deveria tomar o Forte de Coimbra, as Vilas de Albuquerque, e de Corumbá.

 

Em 1867, o presidente da província de Mato Grosso, Couto Magalhães, decidiu pela retomada do território para o Império Brasileiro e iniciou os preparativos militares elaborando a estratégia das operações, que ficou sob o comando do então tenente-coronel Antônio Maria Coelho. No dia 15 de maio de 1867 teve início a ação militar para a Retomada de Corumbá com a partida das tropas do Porto de Cuiabá, acampando em nas proximidades de Corumbá às 18 horas do dia 12 de junho.

 

Já na madrugada do dia 13, a tropa toma rumo norte caminhando pelas margens do rio Paraguai. Depois de 25 quilômetros de marcha, param os soldados já perto da vila de Corumbá, para observação e plano tático de seus comandantes. Às 14 horas começam os ataques em pontos distintos, que duraram até às 18 horas. As tropas brasileiras perderam ao todo nove homens, dentre os quais, o tenente Manoel de Pinho e o capitão Cunha e Cruz. Outros 27 homens ficaram feridos. Foram aprisionados 27 paraguaios, do total de uma tropa de 200 homens, que havia se instalado Corumbá.