Precisamos da pesquisa para gerar valor e de recursos para superar a crise, afirma prefeito

Um bioma que une três países em uma área de 250 mil quilômetros quadrados, que enche e seca todos os anos. É no Pantanal que acontece a integração entre homem e natureza e onde, eventualmente, os limites são rompidos. Se por um lado o homem impacta o ambiente, por outro, ele aceita as limitações impostas por este bioma fascinante e complexo.

 

Pensando na manutenção desta grande área, ora verde e alagada, ora ressequida e seca, o presidente da Embrapa, Maurício Antônio Lopes, mencionou a preocupação em exercer a sustentabilidade na região: “O nosso papel é conciliar a produção agrícola brasileira com a manutenção do meio ambiente e o desenvolvimento social, pois precisamos dar uma resposta científica aos desafios agropecuários e à manutenção deste patrimônio natural”. Lopes esteve presente na cerimônia de nomeação do novo chefe da Embrapa Pantanal, juntamente com autoridades nacionais, estaduais e municipais, além de representantes do departamento de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.


“Queremos tornar a Embrapa em um fórum de discussão democrático com a sociedade para discutir o Pantanal. Vamos dar a visibilidade devida a ele, envolvendo cientistas, proprietários rurais, gestores públicos e população de todos os países onde o Pantanal se faz presente”, resume o chefe nomeado Jorge Antonio Ferreira de Lara. Como o foco é desenvolver estratégias para a manutenção do bioma e proporcionar soluções para a produção pecuária, a sociedade é desafiada a contribuir com ideias para manter o Pantanal para as próximas gerações. “Queremos deixar um saldo positivo para os nossos netos e, não contas a acertar com a natureza”, ilustra.


Na mesma linha, o prefeito de Corumbá, Ruiter Cunha de Oliveira abrange o conceito de participação popular em todas as esferas, atento às demandas sociais e com uma gestão transparente, aberta à participação cidadã ao implantar políticas públicas. “É interessante notar este movimento de participação popular que outras instituições também estão adotando: abrindo espaço e ouvindo o que a população tem a dizer para contribuir com aquilo que é de interesse público. Este é o futuro do governo democrático”, pontua.


Considerando a redução de investimentos em todos os setores brasileiros devido à crise econômica, Jorge Lara acredita no aproveitamento de projetos engavetados na empresa: “vamos aproveitar o conhecimento que já temos acumulado nestes 42 anos da unidade e devolver à sociedade em forma de informação, tecnologia e conhecimento”. Para que o objetivo seja alcançado, o Maurício Lopes acredita no fortalecimento das mais de 460 parcerias existentes com o setor público e privado, dentro e fora do Brasil. E, no surgimento de novas parcerias: “queremos unir forças, atrair centros de pesquisa para o Pantanal e trazer o que há de melhor no mundo para Corumbá”, conclui.


Várias facetas compõem a região pantaneira: a localização estratégica à beira de um rio navegável, a importância econômica herdada do passado, o corredor fronteiriço com a Bolívia, a produção agropecuária e o minério. Enquanto a Embrapa busca atrair investimentos para centros de pesquisa, a prefeitura e o governo do Estado do MS buscam reverter a diminuição da importação do gás boliviano, que impacta na arrecadação do Município e, consequentemente em investimentos. “Precisamos da pesquisa para gerar valor, mas acima de tudo, precisamos de recursos para superar a crise”, preocupa-se Ruiter de Oliveira.

 

O secretário de Produção e Agricultura Familiar do MS, Fernando Mendes Lamas, representou o governador Reinaldo Azambuja na cerimônia. Para ele, a ciência exerce um papel fundamental durante a crise: “Tanto a ciência quanto a tecnologia se mostram ainda mais importantes, pois são instrumentos que promovem soluções tecnológicas e, consequentemente, promovem a qualidade de vida do e no Pantanal. Conhecimento é um insumo fundamental para o desenvolvimento da região”.

 

O Brasil é um importante produtor de alimentos para o mundo, assim como a Embrapa é uma importante aliada do Ministério da Agricultura ao fornecer tecnologia aos produtores e, respectivamente, o pecuarista pantaneiro é um importante fornecedor de carne que alimenta todo o mundo. “Esta cadeia produtiva e econômica precisa ser viável sem destruir o Pantanal”, reitera Jorge Lara.