Fóssil que conta origem da vida será destaque em Geopark em Corumbá

Para ampliar a importância de Corumbá não apenas para o mundo das pesquisas geológicas, na manhã desta terça-feira, 15 de março, o fóssil da forma de vida vertebrada mais antiga do mundo, Corumbella werneri, foi assunto que dominou a reunião ordinária do Conselho Gestor do Geopark Bodoquena/Pantanal.

 

Atendendo a uma solicitação da Prefeitura Municipal de Corumbá, por meio da Fundação de Meio Ambiente, o pesquisador Detlef Hans-Gert Walde, do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília, e que descobriu o fóssil durante suas pesquisas no município pantaneiro na década de 80, relatou suas experiências nos estudos da Corumbella werneri.

 

“A Corumbella é do período Ediacariano que se estima 500 a 600 milhões de anos, só para compararmos com o registro dos dinossauros que somam mais ou menos 140 milhões de ano no período jurássico. Essas rochas estão preservadas aqui na região de Corumbá onde descobrimos tubos muito primitivos que são macro fósseis de organismos daquela época, o que é muito importante para a documentação do desenvolvimento da vida na Terra”, disse o professor ao lembrar que Corumbá foi arrolada numa lista de quatro locais no mundo onde há grande interesse por estudos financiados por institutos de pesquisas internacionais.

 

“A corumbella é a única forma da qual temos uma documentação muito boa. Na China, há formas similares, mas não como as que vemos em Corumbá”, lembrou o pesquisador de origem alemã e que será um personagem importante para na elaboração de projetos que ajudem a popularizar tão importante informação científica.

 

Na avaliação do secretário de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação, Athayde Nery, a junção de esforços entre as diversas esferas de governo contribuirão para despertar ações até hoje não desenvolvidas.

 

“A união do Estado e Município dentro de uma transversalidade chamando para a sociedade civil também para atentar ao valor que isso tem de explorarmos essa potencialidade que não estamos fazendo. Se nós criarmos esse processo de inclusão institucional desse tema do ponto de vista da LDO, da formação acadêmica, iremos destinar recursos a partir da Fundect para acolher isso”, disse ao apontar novos rumos.

 

A vice-prefeita e diretora-presidente da Fundação de Meio Ambiente do Pantanal, Márcia Rolon, avaliou que não há momento mais ideal do que está se vivendo para a real implantação do Geopark em Corumbá e região.

 

“Por muito tempo esteve abandonada a região onde se encontra a Corumbella. Hoje não mais e faço questão de falar. O prefeito Paulo (Duarte) tem um olhar para a Corumbella, para a Cacimba. O momento é agora de não deixar a Corumbella abandonada porque tem o Poder Público, um Conselho de Meio Ambiente muito forte. Chegamos no momento ideal pra fazer com o Geopark aconteça e para fazer com a Corumbella seja uma rota de desenvolvimento porque esse é nosso foco: o turismo”, afirmou.

 

Marcelo Turine, diretor-presidente da Fundect, lembrou o termo de compromisso que o prefeito de Corumbá, Paulo Duarte, e o governador Reinaldo Azambuja irão assinar nesta quarta-feira, 16, para a implantação do Núcleo Corumbá do Geopark.

 

“Nosso sonho é ter o Geopark dentro desse roteiro mundial de geoparks. Isso não será possível se não tivermos esse diálogo com o local. Amanhã vamos assinar termo de compromisso do Núcleo para ter base, dados a fim de fazer projetos para elaboração de políticas públicas voltadas para o tema”, destacou.