Vale assegura que barragens são de baixo risco e não apresentam perigo ao Pantanal

Das 15 barragens que a mineradora Vale possui em Corumbá, apenas uma – chamada de Gregório, instalada na Mina de Santa Cruz – é considerada de médio porte.  As outras quatorze são consideradas, de acordo com a legislação brasileira, de porte “muito pequeno”.

 

A capacidade máxima da barragem de Gregório, utilizada para armazenar rejeitos da extração do minério de ferro, é de 9,3 milhões de metros cúbicos, mas nunca operou em seu volume máximo. E segundo o Gerente de Operações da Vale na região, Olemar Tibães Lopes Júnior, todas as barragens da empresa na região são consideradas de “risco baixo de acidentes”, com base na classificação da Lei 12.334.

 

Os laudos e estudos foram encaminhados pela Vale,  ao DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), em março deste ano. As informações no site do órgão, entretanto, ainda não foram atualizadas. Desta forma, o risco de um eventual rompimento da barragem afetar o Pantanal ou a cidade é praticamente inexistente. E o primeiro motivo apresentado pelos técnicos da mineradora é a segurança da estrutura.

 

“As barragens passam por inspeções diárias e são monitoradas por instrumentos que medem seu comportamento estrutural. Os dados são analisados por geotécnicos, que avaliam se as medições dos instrumentos estão adequadas”, explicou Olemar Tibães.

 

Adicionalmente, para garantir o bom estado de conservação das barragens, são realizados serviços como limpeza de drenagem, controle da recirculação de água e inspeções do ponto de lançamento do rejeito, acrescentou o gerente da Vale..

 

O reaproveitamento de água, para o processo da Vale no Mato Grosso do Sul, é da ordem de 72% . De forma que as barragens de rejeitos tem pouca umidade.  A água é o principal fator de risco de uma barragem. Quanto menos água, mais segura é a barragem.

 

E se uma chuva extremamente forte atingir a região, um extravasor (equipamento que lembra muito um sangradouro, ou ladrão, existente nas caixas d’água residenciais) escoaria o líquido de forma adequada e impediria uma pressão maior no reservatório. Esse extravasor foi projetado para suportar a maior chuva em um histórico de 10.000 anos.

 

Outro motivo apesentado pela Vale para descartar qualquer dano ao Pantanal ou mesmo à região de Antônio Maria Coelho, é o tipo de rejeito gerado na extração do ferro na região, que apresenta pouca água e que, portanto, se desloca pouco e lentamente.

 

Além de ser um material muito compacto, o rejeito é classificado – conforme os parâmetros da ABNT – como  não perigoso e inerte. Se por algum fator externo a barragem Gregório se rompesse, esse material atingiria, no máximo, 1,8 quilômetro de extensão. Isso por causa da densidade do resíduo e da própria geografia do local. O córrego mais próximo dali é o Piraputangas, cuja nascentes ficam localizadas a quase 4 quilômetros de distância da barragem.

 

Segurança

 

Todas as explicações técnicas, ambientais e geográficas sobre as barragens da Vale na região foram apresentadas nesta terça-feira, 24 de novembro, ao prefeito Paulo Duarte, a vice-prefeita e diretora-presidente da Fundação de Meio Ambiente, Marcia Rolon, e a vereadora Cristina Lanza, professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

 

O encontro começou na Prefeitura e terminou com uma visita técnica na barragem Gregório, onde todas as informações foram notadas in loco. O prefeito Paulo Duarte mostrou-se bastante satisfeito com as explicações e ponderou sobre a importância da empresa abrir suas portas para explicar como é feito o trabalho de mineração no município, além de tranquilizar a população.

 

“É muito importante o que a empresa está fazendo. Pela primeira vez estamos aqui, buscando saber como o processo de mineração funciona e a Vale se mostrou muito solícita e está de portas abertas para quaisquer explicações, não somente para o Poder Público Municipal, como também para o Ministério Público, DNPM e outros órgãos estaduais”, ressaltou o chefe do Executivo municipal.

 

“Quero agradecer a disponibilidade da equipe, especialmente porque várias notícias têm sido veiculadas de forma errada e irresponsável, sem apurar todos os fatos, o que acaba causando preocupação e até pânico nos moradores da cidade”, concluiu o prefeito de Corumbá.

 

Reunião

 

Antes da visita ao morro Santa Cruz, a equipe da Vale fez uma apresentação técnica para explicar como são e como funcionam as barragens em Corumbá. Ao todo a empresa possui 15 barragens, sendo 14 consideradas de porte muito pequeno, com capacidade de até 125 mil metros cúbicos de rejeitos.

 

A única que é considerada de porte médio, que é a de Gregório, possui uma capacidade muito menor que a barragem que se rompeu no município de Mariana, em Minas Gerais.

 

Os técnicos explicaram que até 2013, quando foi aprovada a Política Nacional de Barragens, os locais para depósito dos rejeitos de minérios aqui em Corumbá eram considerados como bacias, devido a seu pequeno porte.

 

Segundo a equipe técnica, outro fator que torna a área de mineração do Mato Grosso do Sul mais seguraé a forma como é realizado o processo de segurança em todas as barragens. Além da licença ambiental, que é válida até setembro de 2016, técnicos fazem a vistoria diária nas estruturas das barragens para verificar quaisquer irregularidades.

 

Ainda de acordo com os estudos e acompanhamento das equipes da mineradora, se houver um rompimento da estrutura a extensão máxima que os rejeitos percorrerão será de até 1,8 quilômetros. Isso  devido à baixa umidade do rejeito, que assim se desloca pouco e lentamente.

 

Em relação a episódios passados (nos anos de 2012 e 2014), o gerente da empresa ponderou que em nenhum desses dois eventos houve rompimento de quaisquer barragens. No primeiro episódio houve um rompimento de tubulação, o que gerou impactos momentâneos em um córrego do local.

 

No segundo episódio ocorreu uma forte chuva, que carreou materiais da estrada não pavimentada para localidades próximas. Após esse evento, a empresa adicionou novos sistemas de drenagem da água da chuva para evitar as enxurradas – os chamados “sumps”, sulcos feitos na beira estrada que armazenam a água que desce da morraria, fazendo com que a enxurrada perca força e volume ao longo do caminho.