Corumbá inicia pelo Cristo, uma mega ação de combate a vetores de doenças

O bairro Cristo Redentor recebeu uma grande ação da Prefeitura Municipal de Corumbá nesta quarta-feira, 14 de outubro, quando equipes da Secretaria de Saúde aliada à Secretaria de Assistência Social e Cidadania, além de militares da Marinha e do Exército visitaram residências como parte de um trabalho intersetorial visando o combate de vetores de doenças como a dengue, a leishmaniose e chikungunya. O trabalho acontece paralelo à campanha de vacinação contra a raiva animal.

 

Uniu-se aos agentes de endemias, a secretária de Saúde, Dinaci Ranzi, que conversou com moradores buscando conscientizá-los sobre os perigos de se acumular lixo em terrenos e quintais, bem como os cuidados básicos ao se armazenar água e com os animais de estimação.

 

“Nossa intenção é conversar com os moradores com muita delicadeza e paciência para que eles possam compreender que esse lixo que estão acumulando no quintal, traz a doença pra dentro da casa deles e não há remédio para isso. A nossa equipe não tem medido esforços e de sol a sol vem fazendo esse convencimento. O que a gente tem feito é um apelo social para que todos nos ajudem e reflitam”, disse a secretária.

 

Bom exemplo

 

Na residência de Rosanil dos Santos, os agentes encontraram exemplos de como se prevenir. A senhora que convive com filho, nora e neto mostrou os jarros de plantas com terra, garrafas com a boca virada para baixo, mostrando que colabora com as ações da Saúde.

 

“Eu sempre estou verificando as plantas, a caixa de água e até mesmo no terreno ao lado, quando o mato está muito alto, meu filho mesmo limpa para evitar essas doenças. Acho muito bom que a secretária de Saúde venha em nossa casa. A gente só vê pela televisão e quando temos essas pessoas perto da gente, elas demonstram que se importam com a gente”, comentou a moradora.

 

Em outra residência, o quadro não foi animador. Giovania Rodrigues se surpreendeu quando os agentes encontraram a larva de mosquito Aedes Aegypti em uma de suas duas caixas de água. “Eu lavei antes de ontem as duas, não imaginava que podia ter mosquito aí”, comentou a moradora que foi orientada pela equipe a fazer toda a escovação do fundo e das paredes dos reservatórios para eliminar os ovos que nelas podem se acoplar, bem como vedar qualquer pequeno buraco existente.

 

Além da remoção mecânica de larvas e focos, o trabalho dos agentes subiu a região de morraria na alameda Maria de Carvalho Lopes onde cerca de 30 famílias encontram-se em situação de vulnerabilidade e, como consequência, as condições encontradas não foram das melhores.

 

Além de transportarem nas costas do alto do morro grande volume de carcaças de televisão, fogão, colchão velho e uma infinidade garrafas plásticas, em uma dessas casas, os agentes encontraram até animais peçonhentos. Uma cobra jararaca surpreendeu uma equipe durante a retirada de entulhos do quintal, porém o animal escapou da captura.

 

Da mesma região, foram retiradas grandes quantidades de ferragens, entulhos e lixos de toda espécie que estavam servindo como criadouros do mosquito Aedes Aegypti, vetor da dengue e da Chikungunya, além do mosquito flebótomo, transmissor da leishmaniose.

 

“A Prefeitura está fazendo a parte dela, mas a população é o principal ator desse processo. As pessoas têm que compreender que essa mudança tem que acontecer. Fazer disso um hábito cultural é muito difícil, porém não vamos nos desmotivar, então a nossa presença é para motivar tantos os trabalhadores como a população. Hoje, acompanhando o trabalho dos agentes, eu vejo que as equipes estão indo frequentemente, mas ainda existem pessoas que não estão ajudando, porém não vamos desanimar”, afirmou a secretária Dinaci.

 

Social presente

 

O trabalho dos agentes foi reforçado com o olhar de uma assistente social que aproveitou a visita dos profissionais da Saúde para avaliar o grau de vulnerabilidade dessas famílias. Ela detectou que muitas, apesar de apresentarem requisitos para a concessão do benefício, não estão cadastradas em programas sociais pelo fato de desconhecerem o direito ao mesmo.

 

“Somente uma senhora aqui possuía o Cadastro Único e por isso apresentava uma situação melhor que as demais. A Saúde é um reflexo disso porque não podemos pedir para o cidadão melhorar sua habitação, por exemplo, se ele não possui meios por isso a parceria com a Assistência Social é imprescindível”, explicou Grace Bastos, coordenadora de controle de vetores e endemias do município.

 

Ela informa ainda que, no final do mês, novo Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) será realizado na cidade e o resultado será importante para definir o cronograma dessas ações de combate e prevenção aos vetores de doenças endêmicas.