Conferência quer despertar consciência da população para Cultura como política pública

Com o intuito de traçar propostas que norteiem as políticas públicas culturais e perpetue a condição de cidade onde a Cultura é uma de suas características mais marcantes, Corumbá deu início na tarde desta sexta-feira, 28 de agosto, à 3ª Conferência Municipal de Cultura.

 

O evento segue por todo o dia de hoje na unidade do SESC, localizada no Porto Geral, onde a classe cultural da cidade e pessoas em geral interessada pela temática se dividirão nas discussões agrupadas em quatro eixos temáticos: : I – Plano Municipal de Cultura: Uma Avaliação para o Futuro; II – Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas; III – Cultura e Educação; e IV – Cultura Integrada.

 

“É o momento de parar, pensar e de colocar a Cultura no seu lugar que, na verdade, é em todos os lugares. Não tem mais isso da Cultura ser algo de beleza e de arte; a cultura é economia, educação e por isso o tema desta conferência garante todos os setores de forma interna, externa e transversal”, disse a vice-prefeita e diretora-presidente da Fundação de Cultura de Corumbá, Márcia Rolon, sobre o tema central do evento: “Cultura e Intersetorialidade”.

 

Ela destacou ainda aquela que será uma das discussões que permeará um dos eixos temáticos. Corumbá é uma das poucas cidades de Mato Grosso do Sul que possuem um Plano Municipal de Cultura em vigor com demais mecanismos como o Conselho Municipal do setor.

 

“Toda conferência é um momento de repensar, então estamos freando e vai te rum eixo que é justamente isso: depois do biênio do nosso Plano Municipal de Cultura, a revisão para revalidação deste documento ou não a fim de que possamos crescer”, afirmou a gestora pública que em sua fala apresentou um balanço das ações culturais desenvolvidas no município com a intervenção de algumas delas como a capoeira, a dança e as manifestações religiosas.

 

Apesar do discurso cada vez mais ser difundido, Rolon avalia que a Cultura ainda precisa ser entendida por grande parte da população como política e não apenas momentos de descontração e admiração oferecidos pela prática artística.

 

“As pessoas tem que entender o que é cultura, que elas estão imersas na cultura porque ela está tão presente como, por exemplo, na comida, no modo de vestir, nos costumes, nas histórias do cotidiano. A consciência de que a Cultura move e que realmente é uma proposta política”, declarou.

 

Foi nesse sentido que também falou ao púbico presente na abertura da Conferência, o ativista cultural Victor Samúdio, que presidiu o Fórum Municipal de Cultura de Campo Grande e foi membro do Colegiado Nacional de Teatro (CNPC). Ele repetiu a expressão “cereja do bolo” que é usada com frequência para designar o setor, entregando-lhe apenas o aspecto festivo e nem sempre necessário.

 

Samúdio expôs o grande movimento realizado na Capital do Estado em busca do fortalecimento das políticas públicas culturais traçando uma evolução nos últimos tempos e apontou a necessidade de Corumbá continuar no caminho que vem traçando.

 

“Corumbá é um polo estratégico da cultura no Estado e no país pelo fato de carregar essa coisa da cultura fronteiriça em suas raízes. Corumbá sem sombra de dúvidas tem sua importância e não é pequena dentro do cenário do Estado e do país”, disse.

 

“A cultura de Corumbá é singular e muito vibrante então quando a gente vê iniciativas como a Conferência é muito importante porque é o momento em que toda a diversidade cultural da cidade, no caso, as pessoas que fazem a cultura podem se encontrar para debater e refletir por uma política para o Poder Público porque, na verdade, o que define o que o Poder Público tem que fazer são as pessoas”, pontuou.

 

A programação da abertura seguiu com a palestra de Nádia Moreno Rodrigues, assessora técnica da Gerência de Cultura do Departamento Nacional do Sesc.

 

Os principais objetivos da Conferência são: propor estratégias e ações para o desenvolvimento da cultura local; realizar a avaliação e revisão bienal prevista para o Plano Municipal de Cultura; estabelecer metas executáveis até o ano de 2022, a partir das diretrizes, estratégias e ações constantes no Plano Municipal de Cultura.