Em Albuquerque, Festa do Divino mantém tradição que dura mais de um século

Há mais de cem anos, a comunidade de Albuquerque, distrito 60 quilômetros distante da área urbana de Corumbá, comemora a Festa do Divino Espírito Santo. A celebração, que começou na sexta-feira, terminou só nesse domingo, 24, com a procissão e a Santa Missa na Capela do Divino.

 

A missa foi realizada pelo padre Jacinto Ortiz e contou com a participação do Coral Cidade Branca. O prefeito Paulo Duarte, a vice-prefeita e diretora-presidente da Fundação de Cultura, Marcia Rolon, o secretário de Governo, Márcio Cavasana, e o subsecretário de Assistência Social e Cidadania Nilo Correa, participaram do evento.

 

Da capela, os festeiros seguiram até a Escola Municipal Rural Luiz de Albuquerque, onde aconteceu uma grande confraternização. “É uma festa muito bonita, que passa de geração em geração e, a cada ano, se torna mais forte. É uma alegria ver mais uma tradição de nossa cidade se mantendo e crescendo cada vez mais”, afirmou o prefeito Paulo Duarte.

 

Mais de 60 voluntários auxiliaram na realização da festa. “São cerca de 30 mulheres ajudando a preparar o cozido e o sarravulho e mais uns 30 homens cuidando do churrasco. Foram 16 novilhas entre o sábado e o domingo”, afirmou Arlene Inez de Carvalho Costa, a imperatriz da festa, como é denominado o organizador.

 

Além da imperatriz, há ainda o imperador, o alferes de bandeira, o capitão do mastro, o tesoureiro e o procurador. “Cada um tem sua atribuição dentro da Festa do Divino Espírito Santo. É uma equipe que trabalha durante todo o ano para podermos dar continuidade nessa tradição”, explicou Arlene.

 

Origem

 

De acordo com a Igreja católica, o Divino Espírito Santo começou a ser festejado em Portugal no início do século XIV. Os festejos surgiram no Brasil nos tempos coloniais, no reinado de Dom João VI. No século XVII espalhou-se por todas as colônias portuguesas, tornando-se tradicional em estados como Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.

 

Curiosamente, a denominação de imperador, para o principal festeiro do evento, originou-se do fato de Dom Pedro I ter sido Imperador e não Rei do Brasil. A celebração acontece cinquenta dias após a Páscoa, comemorando o dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo desceu do céu sobre os apóstolos de Cristo sob a forma de línguas como de fogo, segundo conta o Novo Testamento.

 

Desde seus primórdios, os festejos do Divino, realizados na época das primeiras colheitas no calendário agrícola do hemisfério norte, são marcados pela esperança na chegada de uma nova era para o mundo dos homens, com igualdade, prosperidade e abundância para todos.