Copa do Mundo: Corumbá é porta de entrada de chilenos, rumo a Cuiabá

“Chi-Chi-Chi-le-le-le-viva-Chile”. A estrofe adaptada de uma das canções mais representativas do Chile ecoou no final da manhã e início de tarde dessa terça-feira, 10, em Corumbá. Foi no Posto Esdras, na fronteira com a Bolívia, onde mais de 100 chilenos aguardavam o visto de entrada no Brasil. O destino, Cuiabá, no Mato Grosso. Na agenda, o jogo de estreia da seleção chilena contra a Austrália, no dia 13 de junho, sexta-feira, 18 horas, na Arena Pantanal.

 

A movimentação foi grande. Tinha torcedores de várias regiões do Chile, do norte principalmente. A espera não incomodava. Muito pelo contrário. Enquanto aguardavam o atendimento, os grupos entoavam a estrofe da canção criada por um estudante de 20 anos, em 1933, a bordo de um barco, que nos anos 70, foi adaptada pelos clubes de futebol e cantada nas competições, tornando-se um hino popular.

 

De Arica, por exemplo, chegou uma caravana com 15 carros e 80 pessoas. Entre elas, Omar Henry (pai), Omar Henry (filho) e José Manuel (sobrinho). “Viemos em um grupo grande e aqui, estamos representando a nossa família. Existem outros grupos aqui, mas, uma boa parte, de Santiago, por exemplo, entrou por Buenos Aires, que é mais próximo do Brasil”, disse o filho Omar.

 

E ele estava ansioso por dois motivos: um deles, o jogo do Chile na sexta, mas, o principal, é que na capital do Mato Grosso, ele vai rever seus filhos. “Minha ex-mulher mora lá com meus dois filhos. Vou revê-los agora”, disse ansioso, antes de posar para fotografias ao lado do pai, do sobrinho, do carro em que viaja, segurando um mapa do trajeto de 2,8 mil quilômetros que está fazendo, de Arica a Cuiabá, passando ainda por Campo Grande.

 

Outro grupo é de Antofagasta, mais ao centro chileno. Os torcedores iniciaram a viagem na sexta-feira, cortando o Chile e a Bolívia, de oeste a leste, até chegar nessa terça-feira, em Corumbá. Jose Lamas Castillo informou que o trajeto mais curto seria por Cáceres, na divisa do Mato Grosso com a Bolívia. “Por Corumbá é mais seguro, por isso estamos entrando no Brasil por aqui”, disse, demonstrando otimismo para o jogo de estreia contra a Austrália.

 

E não foram apenas chilenos que entraram hoje no Brasil, rumo a Cuiabá. Colombianos também se juntaram ao grupo em solo brasileiro e até entoaram um grito de guerra diferente, unindo os nomes dos dois países. O Chile está no Grupo B e a Colômbia no C. E será em Cuiabá que os colombianos fazem o seu terceiro jogo da Copa, no dia 24, contra o Japão, seleção também representada nessa terça-feira, no Posto Esdras. Lá, alguns japoneses, em pequeno número, aproveitaram para interagir com os colombianos e chilenos, tirando fotos, brincando, mostrando que a harmonia deve prevalecer.

 

E é esta harmonia que espera o único australiano que entrou por Corumbá. Vestido com a camisa do atacante Tim Cahill (4), ele segue viagem agora à tarde, em uma caravana com 50 torcedores, rumo a Cuiabá. Detalhe: os outros 49 são chilenos, seus adversários na sexta-feira, em campo, porque fora dele, a paz reina. Pelo menos foi o que ficou demonstrado no encontro dos grupos na fronteira, bem em frente ao Centro Internacional de Atendimento ao Turista que a prefeitura montou no local, justam ente para facilitar a entrada de estrangeiros ao Brasil.