Fegasa apresentará o potencial gastronômico das plantas pantaneiras

O Festival Gastronômico Sabores das Américas (Fegasa) dará um destaque especial para “os sabores do Pantanal” durante a abertura do evento programada para o dia 1º de maio. Na ocasião, serão apresentados aos chefs participantes o “Projeto de Valorização de Plantas Alimentícias do Pantanal e Cerrado”, desenvolvido pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) desde 2006.

 

Ao longo destes anos, dezenas de espécies foram catalogadas e tiveram seus nutrientes avaliados e o potencial culinário testado em receitas que foram organizadas em um livro que os chefs do Fegasa irão receber durante a abertura do evento.

 

No Laboratório de Botânica “Graziela Maciel Barroso”, do Campus do Pantanal, unidade da UFMS em Corumbá, a professora doutora Iria Hiromi Ishii e seus alunos já se programam para a apresentação que destacará o arroz pantaneiro (ou selvagem), a farinha de jatobá, o doce de jaracatiá e o broto da taboa.

 

De acordo com a professora, praticamente todas as plantas encontradas no Pantanal tem uso comestível ou então podem ser aproveitadas economicamente, entretanto o projeto surgiu para vencer certos entraves.

 

“O nosso objetivo é resgatar o conhecimento em processo de perda ou já perdido. São recursos da natureza riquíssimos e que muitos desconhecem a forma de utilização até mesmo por preconceito”, explicou Ishii.

 

A chance de apresentar todas as potencialidades nutritivas e de sabor das plantas pantaneiras é vista com bastante entusiasmo, pois contempla o principal objetivo da pesquisa que já existe há 8 anos catalogando as várias espécies vegetais do bioma.

 

“Acho uma grande oportunidade para divulgar internacionalmente o trabalho que a gente faz, divulgar esses conhecimentos porque, muitas vezes, as pessoas tem conhecimento do vegetal ou do fruto, mas não o utilizam por desconhecerem a importante fonte de alimentação que aquela árvore, arbusto, enfim, o vegetal, possui”, disse ao citar o jatobá, que tem um fruto rico em cálcio.

 

Depois de atestarem o valor nutricional e as possibilidades gastronômicas das plantas e frutos, os pesquisadores e estudantes compartilham o conhecimento durante oficinas com comunidades ribeirinhas e de assentamentos.

 

“Se deixássemos essas informações restritas ao nosso universo acadêmico, não atingiríamos o que nos pretendemos, que é fazer com que as comunidades usem esses recursos naturais. Quando fazemos as oficinas levamos conhecimento, mas muitas vezes, eles mais nos ensinam muito mais”, conta a professora Iria sobre a troca com os ribeirinhos e produtores rurais.

 

Algumas plantas

 

Dentre as plantas que serão destacadas no Fegasa 2014 está o arroz pantaneiro (selvagem) que já bastante utilizado pela etnia guató por ser abundante em toda região pantaneira. O grão se assemelha no formato ao encontrado no mercado, porém é integral e de cor avermelhada.

 

Conhecido popularmente como “mamãozinho-de-veado”, o jaracatiá, espécie bastante recorrentes nas morrarias e assentamentos do município de Corumbá é rico em zinco, manganês, magnésio, ferro, cálcio e vitamina C. Seu nome científico Jacaratia corumbensis atesta que sua descoberta aconteceu em Corumbá, o que não impede que ele seja encontrado em outras regiões do país, onde se sobressai no Nordeste.

 

“É da mesma família do mamão, tem muito leite e pode ser usado também pra amaciar a carne (é proteolítico), mas o uso registrado antigamente era a sua batata (xilopódio) com a qual se fazia o doce, porém isso matava a planta. Fizemos uma adaptação e com o talo, depois do correto manuseio, conseguimos também produzir o doce”, contou.

 

O acadêmico Thomaz da Silva Guerreiro Botelho, que está desenvolvendo um projeto com o jaracatiá, acredita que a planta agradará ao paladar dos chefs.

 

Já a acadêmica Mayara Santana Zanella leva como aposta a taboa (Typha domingensis) cujo uso artesanal para a confecção de tapetes é bastante difundido na cidade, porém o uso comestível ainda é novidade para muitos.

 

A professora Iria explica que na culinária é usado apenas o broto da planta, de onde é retirado um palmito que se assemelho no sabor ao aspargo. Com ele, pode se fazer recheios de tostas, pães e demais receitas.

 

O evento

 

O Fegasa é realizado pela Prefeitura Municipal, por meio da Fundação de Turismo do Pantanal, e da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL) do Pantanal. Tem a parceria do Governo do Estado, por meio da Fundação de Turismo do Estado de Mato Grosso do Sul (FUNDTUR/MS), Serviço Nacional do Comércio (SENAC/MS).

 

Conheça a receita de arroz pantaneiro:

 

Ingredientes

 

2 copos de arroz

1 cebola roxa picadinha

250g de linguiça ou calabresa picadinha em rodelas

1 colher (chá) de alho picadinho

3 colheres (sopa) de óleo de milho, girassol ou soja sal a gosto

 

Modo de Fazer:

 

Numa panela, colocar óleo, a cebola, o alho e refogar bem. Em seguida, colocar o arroz, mexendo um pouco para dar uma leve torradinha. Colocar água para cobri-lo e, quando estiver quase cozido, adicionar a linguiça para que cozinhe junto. Se necessário, ir acrescentando mais água até chegar ao ponto.

 

Dica: Rende 4 porções. Para enriquecer o prato, sirva com castanhas.