Intérpretes cariocas atrelam crescimento do carnaval à união de agremiações

Num bate-papo com o prefeito de Corumbá, Paulo Duarte, os intérpretes cariocas Dudu Botelho e Pixulé falaram sobre o fim da discriminação racial e o carnaval corumbaense, considerado a maior festa popular da região centro-oeste do Brasil.

 

Dudu Botelho, da escola Salgueiro, e Pixulé, da Império da Tijuca, vieram a Corumbá para participar das atividades da Semana da Consciência Negra, com enfoque no Encontro de Intérpretes e Compositores de Samba-Enredo e na Seresta Itinerante da Negritude, evento último que foi cancelado devido às más condições climáticas desta 4ª feira, 20 de novembro.

 

“Precisamos ter efetivamente a consciência de que no século XXI não podemos mais conviver com nenhum tipo de preconceito por isso é fundamental que a gente tenha políticas públicas que incluam a todas as pessoas: mulheres, negros, índios”, disse o prefeito que continuou.

 

“Mostramos o que Corumbá já fez e está fazendo: políticas públicas sérias nessa área, reflexão, combate incessante ao preconceito e, com certeza, é uma data importante até porque nossa história, não apenas de Corumbá, mas do Brasil, tem a ver, tem origem com os negros. É uma grande honra para todos nós ter essa origem”, afirmou.

 

União 

 

A dupla de intérpretes esteve em contato com comunidades de várias escolas da cidade e avaliou a folia de Momo em Corumbá como uma festa “em estruturação”. Dudu presenteou o prefeito Paulo Duarte com uma camiseta do Salgueiro e comentou.

 

“O que as entidades precisam entender é que é preciso união entre elas; a disputa é somente na avenida. Quando uma escola ganha, todas saem ganhando. Não adianta uma escola vir individualmente solicitar melhorias ao Poder Público, isso tem que ser feito em conjunto”.

 

Pixulé também absorveu impressões semelhantes ao do colega carioca e fez um comparativo histórico entre as duas cidades em questão.

 

“O que acontece aqui, acontecia no Rio décadas atrás. A rivalidade da passarela não pode se misturar com a não convivência. Uma escola tem que ajudar a outra, saber que o grande espetáculo só se faz com todas num mesmo patamar”, disse.

 

Carnaval é investimento

 

Botelho, que também é compositor, e já interagiu com o carnaval de Campo Grande em anos anteriores, percebeu como a festa popular tem grande força em Corumbá. “A forma como a Prefeitura apóia o carnaval é de causar inveja nas entidades de Campo Grande”, comentou.

 

Com essa observação, o prefeito Paulo Duarte explicou a dupla carioca que no carnaval corumbaense deste ano foram investidos cerca de R$ 2,5 milhões, valor que retornou ao município praticamente quadruplicado.

 

“Fizemos uma pesquisa com um instituto sério e provou-se que realmente o dinheiro público empregado na realização da festa é um investimento, pois dos 2,5 milhões que aplicamos, tivemos um retorno de praticamente 9 milhões em toda a cidade”, explicou  ao reforçar o caráter econômico e o grande potencial turístico da festa.

 

Tanto Dudu como Pixulé estão de retorno para a cidade do Rio de Janeiro nesta 5ª feira, 21 de novembro, porém eles devem estar de volta a Corumbá na programação pré-carnavalesca entre os meses de janeiro e fevereiro.

 

Antes de deixar o gabinete do prefeito corumbaense, Dudu Botelho cantou o samba-enredo que compôs para disputa do ano de 2001, quando o Pantanal foi enredo da agremiação carioca. Infelizmente, ele não assinou o samba campeão daquele ano, porém a letra é uma bela homenagem aos nossas riquezas naturais.