Corumbá terá três representantes na Conferência da Igualdade Racial

Entre os dias 05 e 07 de novembro, a cidade de Corumbá será representada em Brasília, durante a 3ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir) que, este ano, traz o tema: “Democracia e desenvolvimento sem racismo por um Brasil afirmativo”.

 

Rogério César dos Santos, gerente de Políticas para Igualdade Racial de Corumbá (área governamental); Nara Nazareth Lima Monteiro, presidente do Instituto Madê Korê Odara do Pantanal (sociedade civil organizada); e Adjalma Samaniego, da Comunidade Quilombola Ribeirinha Família Ozório (movimento quilombola) serão os representantes do município pantaneiro na capital federal.

 

Os três representantes integram a delegação sul-mato-grossense eleita durante a III Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Conepir), em Campo Grande, no último mês de agosto. Eles também compõem o quadro de membros titulares do Conselho Municipal de Desenvolvimento e Defesa das Comunidades negra (COMDDEN).

 

Em Corumbá, a população negra tem conquistas marcantes, dentre elas, destaca-se a Associação Corumbaense das Pessoas com Doenças Falciformes (ACODFAL), o decreto municipal que criou o Vale dos Orixás, e leis municipais como as que instituíram o feriado dia 20 de Novembro (Dia Nacional da Consciência Negra) e criaram o Plano Municipal da Igualdade Racial e a Semana da Consciência Negra, além da que criou o Conselho Municipal de Desenvolvimento e Defesa da Comunidade Negra.

 

Apesar desse histórico, as entidades ligadas à defesa dos direitos da comunidade negra, afirmam que há muito ainda o que se buscar, principalmente, no que tange aos meios de fazer com que a população se apodere dessas conquistas.

 

“Para que tenhamos políticas raciais autônomas e com capacidades de realizações é necessário que os poderes executivos, estaduais e municipais tenham gestores que saibam reconhecer a importância dessas políticas, visto que não é necessário que se goste de negros, mas sim que os reconheçam como pessoas de direitos dentro da sociedade brasileira, sabendo-se ainda que não há possibilidade de uma democracia no Brasil que não inclua a nossa presença, pois somos a metade da população brasileira”, afirma o gerente de Políticas para Igualdade Racial de Corumbá, Rogério César dos Santos.

 

A III Conferencia Nacional discutirá vários temas tais como o estatuto da igualdade Racial, os programas de cotas, as desigualdades sociais, a importância da participação na politica e controle social, a inserção econômica e social, o racismo ambiental, a juventude Negra e também o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial.

 

“Sabendo que o Brasil tem em sua população uma mistura de raças e que, vivendo em pleno século XXI, ainda nos vemos ladeados por atitudes discriminatórias, preconceituosas e racistas, por isso se faz necessário que tenhamos políticas públicas voltadas às minorias sociais, como somos obrigados a ouvir diariamente. A nossa luta pela igualdade é real e constante, mas as ações afirmativas criadas para esse setor, infelizmente não acompanham a realidade atual”, avaliou Nara Nazareth Lima Monteiro sobre a importância da participação em evento nacional que discute a temática.

 

Adjalma Samaniego lembra que as conquistas em relação às políticas públicas da comunidade negra são frutos de perseverança de organizações, bem como do diálogo entre a sociedade civil e Poder Publico. Ele destaca ainda a necessidade de pensar de forma singular as especificidades dos remanescentes de quilombo.

 

“A luta pela garantia dos direitos quilombolas é histórica e política, ela abarca uma dimensão secular de resistência, na qual homens e mulheres negros buscavam o quilombo como possibilidade de se manterem físico, social e culturalmente em contraponto à lógica escravocrata. Nesse processo de fortalecimento de luta pelos direitos quilombolas, constituiu-se uma faceta importante para o ponto de vista político e organizativo com suas especificidades em relação aos movimentos negros, sendo a principal bandeira dos quilombolas, o direito ao território”, comentou sobre uma das propostas que deve ser colocada em debate na Conferência Nacional.