Tempo ruim não atrapalha e Caio Lima proporciona espetáculo na praça

O show de lançamento do primeiro CD autoral do músico e cantor Caio Lima (Cacaio) neste domingo, às 20 horas, foi um verdadeiro vendaval de emoções. Sob um vento constante a uma velocidade de 41 quilômetros por hora, só não foi um tornado porque, para sê-lo, o vento teria de soprar a uma rapidez mínima de 65 quilômetros por hora.

 

Mesmo assim, o músico levantou a poeira da música popular brasileira e resgatou clássicos dos anos 70 aos anos 90, como “Vou deitar e rolar” (Baden Powell/Paulo César Pinheiro), “Talco” (Gilberto Gil), “Alagados” e “Meu Erro” (Paralamas do Sucesso), “Tempo Perdido” (Legião Urbana), “Cara Valente” (Marcelo Camelo), “Final Feliz” (Jorge Vercílio), além de canções regionais emblemáticas como “Ciranda Pantaneira” (Grupo Acaba), “Tocando em frente” (Almir Sater), “Chalana” (Mario Zan e Arlindo Pinto) e composições próprias dele, como é o caso de “O poeta e a vida” (Caio e Lima e João Batista) e “Já deu” (Caio Lima).

 

O artista corumbaense também deu a oportunidade para que os novos talentos musicais da cidade, vencedores do Festival Estudantil da Canção de Corumbá (FECC) também brilhassem no palco na noite que seria só dele. E acompanhou a dupla Maria Goulart e Fabrício Santiago, vencedores da categoria infantil, na canção “A Lenda” (Roupa Nova), e o campeão da categoria adulto Yuri Polastre, com “Nada por mim” (Renato Russo). Mas o destaque entre os novos talentos ficou mesmo para a participação de Maria Victória Mansur, que interpretou novamente a música que a consagrou campeã da categoria juvenil, “Como os nossos pais” (Belchior), e arrancou aplausos apaixonados da plateia.

 

Caio Lima demonstrou satisfação em retornar à sua cidade natal e ver que há preocupação com o resgate da cultura local. “Corumbá está num momento de resgate cultural e isso é uma coisa que não foi feita durante muitos anos, que estava esquecida. Lançar meu CD aqui foi especial, veio ao encontro desse momento que é de grande felicidade para mim”, celebrou.

 

De acordo com a diretora-presidente da Fundação de Cultura, Márcia Rolon, o show foi extremamente importante. Além de marcar lançamento do CD da revelação corumbaense, “mostrou que, com competência, você pode chegar onde você quiser. O Caio começou aqui, nos festivais, e esse retorno às suas raízes é muito importante. Além de incentivar, mostra que podemos fazer um intercambio de cultura e é isso que queremos passar para as nossas crianças”, explicou.

 

Paula Mirhan

 

O show também contou com a brilhante participação da cantora Paula Mirhan e sua voz e interpretação arrebatadoras. A plateia que compareceu à Praça Generoso Ponce não quis deixar o músico Caio Lima ir embora e pediu “bis”, pedido prontamente atendido pelo artista, que finalizou o espetáculo recitando um trecho da canção “Ciranda Pantaneira”:

 

“Ser pantaneiro é sentir o cheiro da fruta

Nadar em águas barrentas, remar em águas correntes

Ser pantaneiro é a fuga da morte!

É a busca da vida”