Corumbá quer maior envolvimento da comunidade contra as queimadas

A cidade de Corumbá está implantando um projeto piloto que prega um maior envolvimento de toda a sociedade, inclusive das pequenas comunidades localizadas na área rural e também na região ribeirinha, para reduzir os altos índices de queimadas no Pantanal. O tema foi bastante discutido durante a manhã dessa sexta-feira, 11, no Centro de Convenções do Pantanal de Corumbá Miguel Gomes, com a participação especial do responsável pelo Núcleo de Comunicação e Educação Ambiental do Ibama, Genebaldo Freire Dias.

 

Especialista na área, ele veio a cidade atendendo convite da Prefeitura Municipal, por meio da Fundação de Meio Ambiente do Pantanal, e da superintendência estadual do Ibama/Brigada PrevFogo, para apresentar o projeto piloto para implantação do Plano de Prevenção Básico Participativo em Corumbá.

 

“Trata-se de uma pessoa com grande experiência na área que irá contribuir muito para que possamos reduzir os índices de queimadas no Pantanal”, explicou a diretora-presidente da Fundação, Luciene Deová de Souza que aproveitou a reunião para dar posse aos integrantes do Comitê Municipal de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais de Corumbá, nomeados pelo prefeito Paulo Duarte.

 

A palestra de Genebaldo Freire Dias foi direcionada justamente aos integrantes do Comitê que representam os mais diferentes segmentos da sociedade, como da própria Prefeitura, da Polícia Ambiental, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros Militar, Ibama/PrevFogo, Instituto Homem Pantaneiro, Embrapa Pantanal, Instituto do Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul, Prefeitura de Ladário, Sindicato Rural de Corumbá, Conselho Municipal de Meio Ambiente, Colônia dos Pescadoreds, Agraer, Ecoa (organização não governamental), Marinha do Brasil, Polícia Civil, Universidade Federal de MS/Campus Pantanal e Faculdade Salesiana de Santa Teresa.

 

“O Pantanal é uma área com grande intensidade de foco. É a parte do Brasil que está mais quente. Sabemos que existem vários fatores para que isto ocorra, entre eles, culturais. Para reduzir os focos é preciso uma junção de esforços de vários setores”, prega Genebaldo, conclamando a comunidade de uma forma geral, para atuar junto com os segmentos envolvidos diretamente, inclusive na percepção do problema, que é grave, “para a saúde, e que causa danos ao meio ambiente”.

 

Segundo o especialista, caso a comunidade não se envolva, não perceba a origem dos focos de incêndio florestal, será difícil reduzir os focos. E é pensando no envolvimento de todos, de uma forma geral, que Corumbá está iniciando um novo processo de sensibilização das pessoas, visando ampliar a percepção, incorporação de novos hábitos, novas atitudes e decisões mais refletivas. “Tudo isso pode culminar em uma mudança de comportamento mais sustentável. É um trabalho a longo prazo. É demorado, mas com resultados positivos”, comentou.

 

E a junção de esforços, segundo Genebaldo, já deu resultados positivos. Ele citou como exemplo, o pantanal da Flórida, uma região muito parecida com o Pantanal Sul-Mato-Grossense. “Lá, este trabalho levou certo tempo. Mas, hoje, colhe frutos. Na África está em processo de evolução. E isto pode acontecer aqui. Mas é preciso mudar os hábitos”, disse.

 

O Plano de Prevenção Básico Participativo no Município de Corumbá e região visa desenvolver a gestão compartilhada em toda a região, para uma atuação de maneira mais efetiva, maximizando os recursos humanos e materiais.

 

O projeto pretende levar informações para todas as comunidades da região pantaneira, seja na área urbana como também na rural, inclusive ribeirinha, focando as causas e consequências do uso do fogo na saúde humana, economia, ecossistema e solo.

 

Até um diagnóstico sobre o uso do fogo pelas comunidades está previsto. Isto será importante para subsidiar as oficinas que deverão ser realizadas nas comunidades e na elaboração das ações que serão implantadas, bem como discutir e incentivar a adoção de práticas alternativas ao uso do fogo que não causem dano ao meio ambiente.