Nossa Senhora do Carmo tem um dia de muita festa em Forte Coimbra

A comunidade do Forte Coimbra comemorou na última terça-feira, 16, o Dia de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da instituição militar. O evento contou com a participação de um grande número de pessoas e, entre os presentes, o prefeito Paulo Duarte; a diretora-presidente da Fundação de Desenvolvimento Urbano e Patrimônio Histórico, primeira dama Maria Clara Scardini; bem como a diretora-presidente da Fundação de Cultura, vice-prefeita Márcia Rolon.

 

A festa movimentou a comunidade do Forte localizado cerca de 100 km de Corumbá. O dia começou com alvorada festiva, seguido de um café da manhã. Logo em seguida militares do Exército e da Marinha do Brasil, juntamente com o prefeito, primeira dama, vice-prefeita e devotos, acompanharam a imagem da santa em procissão pela vila do Forte Coimbra que, pela primeira vez, sediou missa campal.

 

Após a missa, a procissão prosseguiu até o quartel da 3ª Companhia de Fronteira Porto Carrero, onde foi realizada uma benção, retornando à Capela de Nossa Senhora do Carmo, onde foi encerrado o ato litúrgico com entrega de replicas da imagem da santa, confeccionadas pelos artistas da Casa Massa Barro.

 

As comemorações contaram com as participações da Banda Municipal Manoel Florêncio e da Oficina de Dança da Fundação de Cultura do Pantanal de Corumbá. Márcia Rolon elogiou a parceria entre o Exército e a Marinha, com a Prefeitura, para manter a tradição. “As duas instituições nos ajudam a manter viva essa tradição. Para o próximo ano, a ideia é intensificar a programação cultural. Quem sabe até mesmo com uma peça teatro com participação da população local”, anunciou Márcia.

 

Milagres

 

O Dia de Nossa Senhora do Carmo é celebrado com muita fé pela comunidade local. Credita-se à santa, milagres durante batalhas ocorridos contra espanhóis e paraguaios, em 1801 e 1864. Conta a história, que Nossa Senhora do Carmo livrou a guarnição militar do forte (110 homens, cinco canoas e três canhões) de um massacre no dia 17 de setembro de 1801, quando um exército espanhol (600 homens, navios e 30 canhões) tinha ordem de ocupar o lugar na disputa pelo território com Portugal.

 

Após nove dias de batalha, os espanhóis venceram, mas se retiraram do local ao verem a imagem da santa na entrada do forte. Desde então, a imagem passou a ser referenciada pela população local, que acredita em milagres.

 

A segunda manifestação ocorreu durante a Guerra do Paraguai. No dia 28 de dezembro de 1864, tropa paraguaia com 3,2 mil homens, 41 canhões, 11 navios e farta munição cercou o forte. Os brasileiros (149 homens) resistiram até o segundo dia, quando um soldado exibiu a imagem da santa e os inimigos suspenderam o fogo, permitindo a fuga dos sobreviventes.

 

A mesma imagem, trazida pelo construtor e depois comandante do forte, Ricardo Franco, encontra-se na capela da vila, onde recebe as honras militares. As jóias, fotos, dinheiro e condecorações junto a seu manto representam graças recebidas.

 

A fortificação foi construída em 1775 e tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) 200 anos depois.