Propostas integradas fortalecem criação da rota cultural pantaneira

O Brasil precisa transformar seu espontaneísmo inculto em flexibilidade preparada, já dizia o filósofo brasileiro Mangabeira Unger. Em outras palavras, a força criativa que define o povo brasileiro tem de ser estimulada, mas também organizada e sistematizada para não apenas não deixar de existir, mas também ser constantemente divulgada, ampliada e garantida.

 

Realizada no último sábado, 22, em Corumbá, a I Conferência Intermunicipal de Cultura representou o primeiro passo nesse caminho de organização de ideias e de um plano de trabalho para garantir vida longa à criatividade e à cultura pantaneira.

 

Entre os participantes, representante dos municípios de Corumbá, Ladário, Miranda, Aquidauana, Rio Verde e Anastácio, cidades que, à partir desse evento, pretendem criar a Rota Cultural do Pantanal, tendo a cultura pantaneira como eixo principal de desenvolvimento. “É a cultura que irá sistematizar e organizar essa rota, porém, antes de mais nada, temos de ter um produto cultural em comum, sólido e de conteúdo, mas que respeite as especificidades de cada município”, disse a diretora-presidente da Fundação de Cultura de Corumbá, Márcia Rolon.

 

No período da manhã, os participantes se dividiram em quatro grupos, cada um deles debatendo um subtema da Conferência: Implementação do Sistema Nacional de Cultura, Cidadania e Direitos Culturais, Produção Simbólica e Diversidade Cultural e Cultura e Desenvolvimento.

 

À tarde, na plenária, todas as propostas apresentadas foram aprovadas. Porém, o mais importante, segundo Márcia Rolon, foi o nível de integração entre as cidades. “Praticamente todas as propostas trazem uma visão integrada e inclusiva de trabalho, o que as fortalecerá nas etapas estadual e nacional da Conferência de Cultura”, disse. “Até a borda do Pantanal foi inclusa para que não deixássemos os amigos do município de Rio Verde de fora meramente por uma questão territorial, até porque eles também são como nós, de cultura pantaneira”, acrescentou.

 

De acordo com a vice-prefeita, também ficou clara na conferência intermunicipal a ascensão e liderança cultural de Corumbá no estabelecimento da Rota Cultural do Pantanal. “Percebemos essa demanda dos colegas de outros municípios e assumimos essa responsabilidade. Corumbá hoje já é um polo cultural sul-americano e tem tudo para ser também o polo cultural pantaneiro”.

 

Propostas

 

Dos quatro grupos, três apresentaram 10 propostas e um, sete. Com uma visão de integração patente entre os seis municípios pantaneiros, todas foram aprovadas em plenária. Uma delas defende a realização da conferência em cada um dos seis municípios, de maneira alternada. Outra proposta estabelece a criação de um consórcio intermunicipal entre os municípios pantaneiros e peri-pantaneiros com abrangência no desenvolvimento cultural, reestruturação de recursos, sendo composto pelos municípios que participaram da I Conferência Intermunicipal de Corumbá, podendo haver adesão dos demais municípios, usando como norteador a cultura pantaneira.

 

Os participantes também reivindicam estrutura e financiamento para capacitação dos profissionais, gestores, e provedores culturais, levando em conta o saber local. Ficou definido também que será estabelecido um Fundo de Investimento Cultural para o Desenvolvimento do Pantanal, beneficiando os municípios que participaram da conferência, além da preservação cultural. Um percentual do FNC (Fundo Nacional de Cultura) será garantido para que seja destinado à aquisição, manutenção de equipamentos, formação, capacitação de gestores e provedores culturais, levando-se em conta o saber local.

 

As comunidades ribeirinhas também foram lembradas. Uma das propostas solicita políticas públicas para propagação de memórias coletivas das comunidades ribeirinhas e, ao mesmo tempo, fomento da criação de centros de tradições pantaneiras. Durante a conferência também foi muito comemorada a proposta de difusão do saber da viola de cocho e do siriri e cururu por meio de oficinas, como difusão do conhecimento através do intercâmbio municipal (Pantanal e Borda), além da criação de uma divisão dentro das secretarias ou fundações com o objetivos de catalogar, registrar e divulgar, na forma escrita, áudio, vídeo e fotografia, as manifestações culturais.

 

Os participantes também solicitaram a criação do Festival de Integração Cultural da Rota Pantanal e Borda, com o intuito de explorar as potencialidades culturais e artísticas dos municípios (dança, teatro, literatura, música, artes plásticas, artesanato, circo, manifestações culturais tradicionais e nativas, festejos, entre outras). Essas propostas dependem agora da aprovação na etapa estadual e, posteriormente, da etapa federal da Conferência de Cultura.