Hoje é dia de festa, de descer a ladeira e banhar São João no Paraguai

Hoje é dia de festa; dia de passar por baixo do andor em busca de um casamento perfeito; dia em que mais de 100 famílias comemoram uma graça alcançada; dia de descer a Ladeira Cunha e Cruz com os andores todos enfeitados; dia em de banhar a imagem de São João nas águas do Rio Paraguai; dia de descer com a família para o Porto Geral e participar de de forma alegre e descontraída da maior festa junina do Mato Grosso do Sul, o Arraial do Banho de São João que vive o seu grande dia neste domingo, 23, véspera de São João, celebrado em 24 de junho.

 

A festa, que começou na sexta-feira, já levou milhares de pessoas ao Porto Geral. É uma realização da Prefeitura Municipal, coordenada pela Fundação de Cultura do Pantanal de Corumbá. A expectativa é que mais de 40 mil pessoas passem pelo local na noite deste domingo.

 

O Arraial do Banho de São João se define como a mistura de muita devoção, fé e crendice popular, trindade que alimenta há mais de 100 anos a tradição de banhar a imagem do santo nas águas do Paraguai. Os elementos ligados à religiosidade e sabedoria do povo (que habitualmente é chamada de folclore) norteiam todo o ritual dos festeiros, desde a preparação do andor sagrado ao banho no rio.

 

A festa começa nas casas das famílias festeiras, uma tradição, onde se misturam cânticos religiosos, orações, histórias de fé em milagres operados pelo santo que, segundo a Bíblia, batizou Jesus Cristo no Rio Jordão, e “ingredientes” da cultura popular como fogueira, içamento do mastro, dança de quadrilhas juninas e fogos de artifício. Graças alcançadas – que aí simbolizam devoção e fé – são os motivos para dedicar festas a São João Batista ao longo de uma vida inteira.

 

Todas as celebrações incorporam figuras da crendice popular trazendo fogos de artifício que, pela tradição, têm no barulho o poder de espantar maus espíritos e acordar São João para a festa. O levantamento do mastro simboliza o desejo de fertilidade da terra, de boa colheita. O próprio Banho do Santo é carregado de simbolismo e lembra o batismo de Cristo.

 

No momento em que a imagem é banhada, a água do rio passa a ter poderes curativos e, por essa razão, os participantes molham os pés, o rosto e outras partes do corpo. Os fiéis e devotos, já carregando o andor, dão três voltas em torno da fogueira e do mastro erguido na frente da casa e seguem para o Porto Geral.

 

Neste ano, mais de 100 famílias (e entidades) corumbaenses estão com suas festas programadas para iniciar nas primeiras horas da noite. São tradições mantidas há mais de um século pelos antepassados e que se renova anualmente, com muito mais força e fé em São João Batista.

 

As festas são abertas. Reúnem familiares, amigos e até mesmo turistas que visitam a cidade nesta época. Neste ano, a Prefeitura de Corumbá certificou 89 festeiros do Banho de São João como agentes de preservação cultural. Todos, ao lado de outras comunidades, preparam-se para este grande dia, culminando com a descida da Ladeira Cunha e Cruz, para banhar o santo nas águas do Rio Paraguai.

 

A programação é intensa. Além dos atrativos da noite, há também a exposição do Bem Imaterial de Mato Grosso no Museu de História do Pantanal, e o 1º Festival de Viola do Cocho, durante toda a manhã, no Centro de Convenções do Pantanal de Corumbá Miguel Gómez.

 

A noite, a partir das 18 horas, abertura do Arraial no Porto com muitas atrações: praça de alimentação, shows com artistas locais, show com Evandro Campos e o Bloco Brasil, show pirotécnico, ato de levantamento do Mastro de São João e, o principal, descida dos andores pela Ladeira em direção à prainha do Porto Geral, para banhar a imagem de São João nas águas do Paraguai.