Povo das Águas realiza mais de 1 mil atendimentos no alto Pantanal

A cada mês que a embarcação do Povo das Águas regressa de uma expedição às comunidades ribeirinhas do Pantanal, o programa social se mostra ainda mais fortalecido e consolidado. O programa da prefeitura de Corumbá revela essa força com números: somente na última expedição, realizada entre os dias 24 e 29 de abril na região de alto Pantanal, foram 1.269 atendimentos nas comunidades de Domingos Ramos, Maracangalha, Castelo, Ilha Verde, Paraguai-Mirim, 5 Irmãos, Mato Grande e Rio São Lourenço.

 

Ao todo, 624 pessoas e 162 famílias foram beneficiadas com atendimentos médico, odontológico, vacinação (febre amarela, caxumba, sarampo, rubéola e tétano), exame de coleta de preventivo, cadastro em programas sociais, além de 108 cães e gatos vacinados contra a raiva (antirrábica). Além disso, mais de 200 cestas básicas foram distribuídas, 300 quilos de charque, 200 telas de mosquiteiro e 200 lonas. “No começo (do Povo das Águas), era tudo mais complicado. Desconfiadas, as pessoas não se aproximavam muito. Ao longo de três anos conquistamos essa confiança e isso se reflete nos números de atendimentos, famílias e pessoas beneficiadas nas comunidades ribeirinhas”, explicou Elisama Cabalhero, coordenadora do Programa Social Povo das Águas. 

 

Cadastro

 

A equipe do CRAS Itinerante também esteve presente e, além da atualização do cadastro do Bolsa Família, fez a inscrição de 6 novas famílias no Cadastro Único. Com isso, essas famílias poderão agora ingressar em programas federais de assistência social. Também foi cadastrado um deficiente físico no Benefício de Prestação Continuada e 7 pessoas na Aposentadoria Rural.

 

Pessoas como o sêo Vicente, da região de São Lourenço, totalmente desassistido em termos de programas assistenciais federais. Originário da tribo Guató, ele tem 78 anos e é conhecido por ser filho da ‘índia pura’ mais antiga do Brasil, a dona Julia (Tirito, em Guató), que faleceu no dia 2 de abril do ano passado com 111 anos.

 

A equipe de assistência social também realizou um cadastro de vulnerabilidade sócio-econômica para detectar quais famílias vivem na extrema miséria, ou seja, com um valor abaixo dos R$ 70 mensais por pessoa. Essas serão inclusas no programa federal Brasil Sem Miséria.

 

Dramas ribeirinhos

 

Psicólogos e pedagogos também trabalharam bastante com orientações sobre violência sexual, violência doméstica, maus tratos, trabalho infantil, sexualidade, alcoolismo, drogas, métodos contraceptivos, entre outros. Na Escola Municipal Rural Polo Porto Esperança, extensão Paraguai-Mirim, no dia 27 de abril, a equipe apresentou uma enquete que revela uma triste realidade nas comunidades ribeirinhas: o alcoolismo.

 

Na encenação, um pai alcoólatra chega em casa e bate na mulher e nos filhos. “Uma senhora se aproximou de mim após a enquete e disse que estava vivendo algo muito parecido com o marido e que inclusive estava pedindo o divórcio”, disse a psicóloga Penélope. Na sequência, a enquete representou a estória de um pai atencioso e carinhoso, ilustrando como ele deve se portar com sua família.

 

Desafios e soluções

 

Nas regiões ribeirinhas do Alto São Lourenço vivem centenas de famílias que sobrevivem, basicamente, do rio, ou seja, da pesca de iscas e de peixes, além, é claro da lavoura. Durante a época da Decoada e dos rios cheios e ‘sujos’, a pescaria é prejudicada e a situação financeira dessas pessoas comprometida.

 

Para sacar os benefícios, ou até mesmo fazer uma consulta médica ou exame, precisam ir até a cidade, enfrentando até doze horas de viagem de barco até Corumbá. Os custos com o transporte e o combustível muitas vezes inviabilizam a viagem, além do valor da estadia.

 

A equipe do Povo das Águas trabalha para buscar, junto à prefeitura, iniciativa privada e Terceiro Setor, formas para resolver esse problema. “Graças a um decreto do prefeito, os ribeirinhos hoje tem prioridade nos atendimentos públicos. Mas, ainda assim, as vezes precisam ficar até uma semana na cidade para resolver todos os problemas e pendências”, explicou Lilia Maria Gouveia Bezerra, gestora do CRAS Itinerante. “Um local na cidade para receber e abrigar esses ribeirinhos seria o ideal”, acrescenta.