Povo das Águas inicia expedição pelo porto Domingos Ramos

Na última quinta-feira, 25, o barco do programa social Povo das Águas subiu o rio Paraguai e atracou na comunidade de Domingos Ramos, a 90 quilômetros de Corumbá. Lá encontrou 17 famílias ribeirinhas que vivem da pesca e da lida com a terra.

 

Como toda região ribeirinha, o local é carente de atendimento médico e praticamente só tem acesso periódico a esse tipo de serviço por meio do Povo das Águas.  O diagnóstico é quase sempre o mesmo diante das típicas e severas condições de calor, água salobra, situação sanitária precária e alta densidade de insetos que assolam o Pantanal: reação alérgica, micose, verminose, diarreia, desnutrição, hipertensão, cefaleia e dores gastro-intestinais.

 

Uma equipe de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e vacinadoras atenderam as famílias de Domingos Ramos na embarcação, realizando triagem, medição de pressão, pesagem, fornecendo antibióticos, antitérmicos, analgésicos, contraceptivos e medicações diversas, além de guias para exames médicos complementares, orientações sobre nutrição e planejamento familiar e coleta de preventiva para exame citopatológico de colo de útero.Ali ao lado, o time de vacinação imunizou crianças e adultos de febre amarela, sarampo, caxumba e rubéola.A saúde bucal também mereceu atenção especial.

 

Tratamentos de canal, extração de cáries e procedimentos preventivos de higiene mobilizaram a equipe de dentistas e auxiliares. É o caso do pescador Joaquim Rodrigues da Silva, famoso na região por discernir, a uma distância de até 5 quilômetros de Domingos Ramos, qual é a embarcação que está subindo o Paraguai somente pelo barulho do motor. No entanto, até mesmo um pantaneiro experiente como Joaquim sofre bastante com uma simples dor de dente. Diagnosticado o nervo exposto na região dos dentes posteriores (molares), o mesmo foi prontamente extraído e a dor sanada.  

 

Enquanto isso, um funcionário do CRAS Itinerante cadastrava o senhor Sebastião Marques da Silva, 57, no Bolsa Família. Da roça e da plantação de mandioca ele tira um sustento de R$ 500 a R$ 600 por mês e terá esse rendimento dobrado com o benefício do Governo Federal, benefício este que Sebastião talvez jamais teria acesso não fosse a ação do Povo das Águas.

 

Foi por meio dessa orientação também que ele soube que tem direito a um benefício extra da parte do Governo para cuidar de sua filha de 6 anos, que sofre de deficiência. “Isso vai me ajudar muito a cuidar melhor dos meus dois filhos”, comemorou Sebastião. As crianças ganharam brinquedos, livros e participaram de brincadeiras e demais atividades lúdicas com uma animada equipe de psicopedagogas.

 

“O atendimento é facilitado por conta da confiança que conquistamos ao longo de três anos de projeto social. Eles nos veem como amigos que querem ajudá-los. E é essa a nossa missão: oferecer-lhes condições para minimizar as adversidades do dia-a-dia e proporcionar-lhes o exercício de cidadania”, explicou Elisama de Freitas Cabalhero, coordenadora-geral do programa Povo das Águas, cuja continuidade está garantida agora por Lei Municipal. Para o bem das comunidades ribeirinhas.