Prefeitura cobra recuperação de prédios históricos e pode desapropriar

A Prefeitura de Corumbá está em entendimentos com os proprietários de prédios históricos localizados na área tombada e em seu entorno, para que providenciem a recuperação destas edificações, e não descarta medidas mais enérgicas, como desapropriação, caso isto não ocorra. A decisão se deve ao fato de que o Município está trabalhando para consolidar o município como principal roteiro de turismo histórico em Mato Grosso do Sul, e nesse contexto, um dos principais objetivos é a recuperação desses imóveis tombados pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Algumas estão abandonadas pelos proprietários há décadas. 

“Corumbá, como cidade turística, não pode mais ter prédios abandonados em pleno Centro. Estamos construindo um diálogo com os proprietários desses imóveis e com isso buscamos soluções para esse problema”, afirmou o prefeito Paulo Duarte, destacando a parceria entre o Poder Público e a iniciativa privada como alternativa para restauração desses locais.

“É importante para o turismo e principalmente para a saúde pública que encontremos essas soluções e vamos, por meio do diálogo, começar essas ações na área Central e depois vamos expandir para toda a cidade”, continuou.

O prefeito, entretanto, não descartou a tomada de atitudes mais enérgicas em caso de omissão dos proprietários. “Se o diálogo não der certo passaremos a notificar e multar os proprietários e depois desapropriaremos o imóvel”, completou.

Nessa manhã, a equipe da Fundação de Desenvolvimento Urbano e do Patrimônio Histórico fez uma visita técnica ao Grande Hotel, onde o dono do imóvel apresentou proposta para revitalizar o local. “A Prefeitura trabalha juntamente com o Iphan. Sendo assim, a reforma deve atender uma série de procedimentos para manter suas características históricas”, explicou Maria Clara Scardini, diretora-presidente do órgão.

A estrutura do antigo hotel, construído para receber o ex-presidente Getúlio Vargas, está muito bem conservada. “Ela é muito boa, não apresenta nenhuma rachadura, mas o edifico está sujo, degradado pela falta de conservação e pela ação do tempo”, detalhou. A intenção é prepará-lo novamente para receber hóspedes, função que deixou de exercer a décadas.

O Grande Hotel foi construido em estilo decó, modelo de transição, entre a arquitetura produzida pelos estilo art noveau (Casa Vasquez) e do ecletismo (Conjunto do Casario do Porto). Pode-se observar uma tentativa de racionalização dos volumes com formas mais puras e pouca ornamentação.

A construção é marcada por um rigor geométrico, os volumes arquitetônicos são também marcados pelo escalonamento e aproximação de formas aerodinâmicas, composição com linhas e planos, verticais e horizontais, fortemente definidos e contrastados.

Estruturas em concreto armado, embasamentos revestidos em granito, mármores e materiais nobres, revestimentos altos em pó-de-pedra (mica) e janelas tipo “Copacabana” (persianas de enrolar/basculantes) em madeira ou ferro. Mescla de técnicas construtivas industriais/modernas e decorativas artesanais/tradicionais.