Corumbá capacita rede de saúde boliviana sobre endemias e zoonoses

Todo o trabalho de referência no combate à dengue desenvolvido pela Prefeitura de Corumbá está sendo exportado para a Bolívia. Na manhã desta quarta-feira, 03, equipes da Secretaria Municipal de Saúde realizaram uma capacitação sobre “Manejo Clínico para Endemias e Zoonoses”, com médicos e enfermeiros de Puerto Suarez, no país vizinho.

 

“É uma parceria que faz parte do projeto do prefeito Paulo Duarte, onde se busca soluções para os problemas comuns entre países de fronteira, visando à qualidade do serviço do Sistema Único de Saúde em nosso Município”, destacou Dinaci Ranzi, secretária de Saúde.

 

Visando uma preparação e maior qualificação dos profissionais bolivianos, a capacitação prevê uma diminuição no fluxo de atendimento no Pronto Socorro local. “Essa relação Brasil e Bolívia vai atualizar o conhecimento deles em relação ao combate à dengue, fazendo com que ofereçam um serviço de qualidade para a população boliviana, de acordo com a nova classificação determinada pela Organização Mundial de Saúde”, completou.

 

O curso está sendo ministrado pelo professor e infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha, diretor da Fiocruz Cerrado Pantanal e uma das maiores autoridades do Brasil na capacitação de profissionais no combate à dengue.

 

Para ele, a nova classificação é interessante, porque quase que exclui a necessidade de um exame laboratorial ao doente naquele momento. “Basta o profissional usar as mãos, os ouvidos e os conhecimentos para poder examinar o paciente, conversando e prestando o cuidado que o mesmo necessita”, disse Rivaldo.

 

Ainda segundo ele, o método traz uma espécie de adicional, popularmente conhecido pelos médicos como “alarme em dengue”, quando o caso é classificado como dengue clássica com manifestação hemorrágica, por exemplo. “O que a Organização Mundial de Saúde quer é desmistificar, ou seja, deixar de associar a gravidade do caso, com a presença de sangramento ou hemorragia”, observou.

 

Para o infectologista, o desafio para se evitar a morte por dengue é separar o joio do trigo. “É importante identificar aquela pessoa que tem o risco e a vulnerabilidade maior para desenvolver a forma mais grave da doença ou alguma condição fisiológica ou natural que dificulta o tratamento”, disse Rivaldo, afirmando também que os casos que são levados a óbito, concentram-se nesse grupo de pessoas.

 

O curso

 

O curso será desenvolvido até o dia 05 de abril. Nesta quinta-feira, 04, as atividades serão direcionadas a líderes comunitários, padres e demais autoridades religiosas de Puerto Suarez, que também podem contribuir na divulgação de ações preventivas contra a disseminação do mosquito Aedes aetypti.

 

Já no dia 5, a secretária Dinaci Ranzi e sua equipe capacitarão a prefeitura de Puerto Suárez na criação de um núcleo de controle de zoonoses no município boliviano.