Dona Sônia brilha na “Ala dos Anônimos” do Carnaval Cultural

Por detrás dos blocos, cordões e escolas de samba do Carnaval Cultural de Corumbá há uma ala que desfila bem longe do asfalto branco e dos holofotes da avenida General Rondon. Para os integrantes dessa ala de anônimos, o carnaval não tem só cinco dias e começa bem antes do Rei Momo anunciar.

 

É o caso de Sônia Dutra, 48, a “Dona Sônia”, que desde o primeiro dia do ano trabalha doze horas por dia para garantir a beleza e o encanto do melhor carnaval do Centro-Oeste. Ao lado dos artistas Tanabi e Tieta, ela é a responsável pelo “PROJAC da Cultura”, como é apelidada a área no prédio da Fundação de Cultura que cuida dos ornamentos, decorações e acabamentos carnavalescos.

 

Retalhos, fuxicos, lantejoulas, passamanarias, plumas, papelão, isopor, tudo nas mãos da Dona Sônia ganha vida. Até os objetos mais inusitados. “Decorar é isso, é dar vida às coisas. Vejo um arame jogado na rua e já imagino sua utilidade em uma armação de fantasia ou coisa do tipo”, diz. “É por isso que amo tanto o que faço”.

 

O amor talvez explique sua devoção, pois a missão é árdua: 80 fantasias de pastorinhas, 300 golas de marinheiro, as roupas da Corte do Momo, os bonecões , além da decoração dos camarotes e do Jardim da Folia.

 

Com tudo 100% pronto e preparado, ela gosta de ver o resultado de tanto trabalho na avenida e não esconde a predileção por uma das alas. “Acho linda a Ala das Pastorinhas, o chapéu, a sombrinha, o arranjo de cabeça, é encantador”.

 

E se engana quem pensa que o trabalho de Dona Sônia e de sua equipe acaba na entrega das fantasias. “Ficamos de plantão nos desfiles da avenida, com tesoura, barbante, fita e cola quente à mão para qualquer eventualidade”.

 

Dona Sônia representa um grande contingente de pessoas que trabalham de forma incansável para a realização do Carnaval Cultural de Corumbá. São costureiras, marceneiros, ferradores, montadores, recicladores, agentes de trânsito e de limpeza pública, taxistas, barraqueiros, gente anônima e muito mais que, em sua maioria, não ocupa posição de destaque mas tem papel fundamental  para o sucesso do melhor carnaval do Centro-Oeste.