Silagem garante alimento do gado no período de seca no Pantanal

Pequenos produtores rurais de assentamentos de Corumbá estão participando de um projeto desenvolvido pela Prefeitura, para garantir alimento do gado durante período de seca, no inverno. As ações estão concentradas nos assentamentos do Taquaral e Tamarineiro II Sul, em parceria com as Associações dos Trabalhadores Rurais do Tamarineiro II e Paiolzinho (ATRAT), e dos Produtores Rurais dos Assentamentos de Corumbá (APRAC).

 

O processo integra o Programa Municipal de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite (Pantaleite) que vem sendo desenvolvido pelo Poder Executivo desde 2007, como forma de evitar queda na produção leiteira no inverno, bem como mortandade do gado, como já ocorreu em anos anteriores, devido principalmente à escassez de alimento e falta de água nas pequenas propriedades rurais.

 

O processo de silagem está sendo coordenado pela Fundação de Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário (Funterra), em parceria com a APRAC e a ATRAT. O presidente da ATRAT, Ronaldo Bueno Pare, 51 anos, também é parceiro do projeto. O agrônomo Luis Auri Pereira está trabalhando no programa já há quatro anos, dando assistência aos pequenos produtores. “Está crescendo. Quando iniciamos o processo de silagem, tínhamos apenas três produtores. Agora, estamos chegando a 10 e a expectativa é dobrar este número no próximo ano”, disse.

 

Luis informa que os trabalhos, nos últimos dias, se concentraram na propriedade de Adão Fernandes Santana, 50 anos, presidente da APRAC, onde estão os equipamentos da Patrulha Mecanizada. Segundo ele, estão sendo utilizados no processo, forrageiras de porte alto como sorgo e o capim napier, que permitem mais de um corte ao ano. “O processo foi iniciado em abril e deveremos ter mais de 500 toneladas de alimento para atender estas propriedades durante a seca, nos meses de junho, julho e agosto. Estamos com oito produtores em pleno processo de silagem, podendo chegar a dez nos próximos dias”, comenta.

 

Sementes

 

A silagem é sequência de um trabalho que vem sendo desenvolvido junto aos pequenos produtores rurais. Em 2011, por exemplo, a Funterra entregou 660 quilos de sementes de braquiária e milheto, atendendo 48 propriedades localizadas em assentamentos da região de fronteira. A distribuição fez parte do Pantaleite e foi feita pela presidente da Funterra, Luciene Deová.

 

“É uma sequência das ações que a Prefeitura vem realizando ao longo dos anos em apoio ao pequeno produtor rural. Primeiro disponibilizamos a semente para o plantio, dando condições aos produtores de plantar, formar pastagem e garantir, por meio do processo de silagem, alimento para o gado na seca. Isto é importante para evitar queda na produção de leite”, disse Luciene.

 

Através do Pantaleite, a Prefeitura iniciou em 2007, um curso de produção de silagem destinado ao pequeno produtor rural, como alternativa para garantir alimento ao gado. O gerente de Assistência Técnica da Funterra, Marcelo Roberto Wanderley Filho, informa que os técnicos da Prefeitura trabalham para mostrar aos produtores que o sistema de silagem é o meio mais viável para garantir um bom alimento.

 

“Um metro quadrado de silagem, napier e cana, por exemplo, rende mais que um metro quadrado de braquiária. Se a produção for em escala maior, vai assegurar alimento para o gado o ano inteiro, melhorando a nossa produção de leite”, observa. Conforme ele, por meio da silagem, o gado terá também um alimento balanceado. “Isso contribui para maior ganho na produção. Por isso mesmo a nossa aposta em trabalhar com este sistema durante todo o ano”, explica.

 

O processo de silagem está sendo desenvolvido nas propriedades rurais pelo sistema de condomínio. Além do sorgo e do napier, o produtor pode aproveitar folhagem e os talos existentes na propriedade, como cana-de-açúcar, rama de mandioca e outros tipos de leguminosas ricas em proteína, como a leocena. O método não é complicado. O primeiro passo é o corte de toda a folhagem e talos, com ajuda de um trator com uma ensiladeira que despeja todo o material em uma carreta.

 

Após isto, toda folhagem e talos são despejados ao solo coberto com uma lona, para compactação. Após isto, é coberto também por lona, para um processo de fermentação por 30 dias. Passado o período, estará em condições de ser utilizado como alimento para o gado e outros animais da propriedade.

 

O processo de silagem é realizado em parceria. A Prefeitura disponibiliza sementes, máquinas, equipamentos, lona, além de combustível. Os produtores são responsáveis pelo plantio, formação dos grupos e pela mão-de-obra. A idéia é fomentar o método e, ao mesmo tempo, fazer com que os pequenos produtores se organizem para a produção de silagem, forma considerada mais prática de se estocar forragem para garantir alimento durante todo o ano.