Servidor: Devolvendo alegrias e reintegrando pessoas à sociedade

Especial Servidor Público

"Não tem preço a satisfação de ajudar a resgatar essas pessoas para a cidadania e fazer com que tomem conhecimento dos próprios direitos"

Há quase três anos, o vendedor autônomo Benedito Nunes Pinto de Almeida, o Benê, 66 anos, morador do bairro Cristo Redentor, sofreu um derrame e, enquanto se recuperava das sequelas, sentia-se indisposto e desmotivado. Na época, a esposa já frequentava os cursos e oficinas oferecidos pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS I) e o convidou para conhecer a instituição e seus profissionais. "Naquela época surgiu o grupo da Ativa Idade, reunindo pessoas da minha faixa etária na prática de atividades físicas, mentais e recreativas para ocupar a mente e o corpo. O resultado foi imediato e recuperei a disposição, a auto-estima e a alegria de viver", relata.

A psicóloga Rosiene do Espírito Santo Mauro, que há quase sete anos coordena a unidade, é testemunha da transformação ocorrida na vida de Benê desde que começou a integrar o grupo, praticando alongamento, ginástica, aeróbica, dança, brincadeiras com bola e jogos diversos, divididos em dois dias por semana. "Ele era mais um dos muitos casos de idosos que chegam doentes, abatidos e sem ver sentido na vida. Hoje, além de ser um dos mais ativos e assíduos, é um dos nossos maiores animadores e colaboradores, ajudando a equipe a recuperar outras pessoas", relata.

Rosiene salienta que o foco do trabalho da instituição é dar autonomia às famílias em situação de vulnerabilidade, ajudando-as a se reintegrar à sociedade. Neste objetivo, ela destaca inúmeros iniciativas, como os Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculo de 0 a 6 anos (relação pai e filho), de 6 a 15 anos (erradicação do trabalho infantil) e o Projovem Adolescente, de 15 a 17 anos, que fortalece o protagonismo juvenil e oferece uma direção profissional. Além disso, os cursos de geração de renda ajudam as famílias a ampliar seus ganhos, enquanto psicólogas, assistentes sociais, pedagogas e professores de educação física conduzem frequentes oficinas, palestras e grupos de acolhida.

"Não há dinheiro que pague a satisfação de ajudar a resgatar essas pessoas para a cidadania e fazer com que tomem conhecimento dos próprios direitos. Esta é a minha grande realização enquanto servidora pública", define a psicóloga, amparada pela opinião de Benê: "A forma como somos acolhidos no CRAS é excepcional, tanto para mim quanto para meus amigos. Lá estamos cercados de pessoas alegres e prestativas, recebemos atenção, um ombro amigo e todo o apoio de que precisamos. E é isso que nos devolve a descontração e a disposição de fazer as coisas".

"Estamos cercados de pessoas alegres e prestativas, recebemos atenção e um ombro amigo. E isso nos enche de alegria e disposição"

(Fatos narrados em dezembro de 2010)