Povo das Águas leva novos serviços aos ribeirinhos do Pantanal

A 12ª edição do Programa Social Povo das Águas, realizada entre os dias 22 e 25 de agosto, retornou às comunidades do Formigueiro, Porto da Manga, Forte Coimbra e Porto Esperança. Além dos profissionais das áreas social, médica, odontológica e educacional, a Prefeitura de Corumbá levou novos serviços às mais de 200 famílias ribeirinhas residentes na região. Pela primeira vez, equipes do Centro de Atenção Psicossocial – álcool e drogas (CAPS ad), do Centro de Referência Regional em Saúde do Trabalhador (CEREST) e do Conselho Tutelar participaram da ação coordenada pela Secretaria Especial de Integração das Políticas Sociais.

"Nosso trabalho foi voltado para a orientação sobre a saúde, com foco nas conseqüências provocadas pelo alcoolismo", explicou a terapeuta ocupacional Liliane Pinho de Almeida, do CAPS ad. Em alguns locais, foram detectados casos considerados graves pela terapeuta. "Tivemos uma gestante que continua fazendo uso do álcool e alguns jovens que também fazem uso frenquente de bebidas alcoólicas", afirmou. Segundo a terapeuta, a receptividade dos moradores é um fator favorável para a conscientização e reversão deste quadro. "Depois das palestras, foi feita a distribuição das cartilhas confeccionadas pelo Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) e a divulgação das formas de tratamento disponibilizadas pelo CAPS ad e no Habilitar", complementou Liliane.

O CAPS ad realizou 55 entrevistas e quatro paletras durante os cinco dias de ação. Já o CEREST atendeu os trabalhadores formais e informais que foram acometidos por acidentes ou doenças relacionadas ao trabalho das regiões ribeirinhas, orientando e conscientizando a importância do uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) em suas atividades profissionais. "O nosso objetivo é promover a prevenção, reabilitação física e emocional para uma melhor qualidade de vida do trabalhador", afirmou a técnica de enfermagem Heloiza Helena Porcino, funcionária do Centro de Referência, que reforçou aos ribeirinhos a necessidade de comunicar todos os acidentes ou doenças relacionadas ao trabalho.

As conselheiras tutelares Rosiléia Oliveira Pinho e Leia Vilalva de Morais também atuaram com um importante trabalho preventivo durante o Povo das Águas. "Fizemos algumas orientações aos pais e professores da região sobre como identificar situações de violação de direitos em todos os aspectos", detalhou Rosiléia. A divulgação das atribuições do Conselho Tutelar foi outro ponto reforçado durante a ação. "Para isso, fizemos palestras com as crianças, adolescentes e seus familiares. Tivemos ainda atendimentos individualizados com os jovens e seus responsáveis", complementou Leia.

Para as conselheiras, a situação encontrada no baixo Pantanal é bastante peculiar, uma vez que é preciso conciliar as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) com a condição de vida das famílias ribeirinhas. No Porto do Formigueiro, foi constatado um caso de maus-tratos a uma criança. Na Manga, uma situação de abandono de incapaz e em Porto Esperança um fato de violência psicológica e outro de negligência dos pais. Todos os casos tiveram o encaminhamento determinado pela ECA.

Educação

Durante a 12ª ação Povo das Águas, a Secretaria Municipal de Educação atendeu 130 crianças e adolescentes por meio de oficinas de teatro educativo com fantoches, construção de brinquedos pedagógicos utilizando materiais recicláveis e pintura artística das faces e unhas. As professoras Neide Leones Pereira e Miriam Bastos ainda trabalharam em conjunto com o Conselho Tutelar e o CAPS ad desenvolvendo atividades lúdicas relacionadas ao alcoolismo e abuso de drogas.

Em Porto Esperança, a Secretaria Especial de Integração das Políticas Sociais desenvolveu aulas de pintura em tecido. A atividade foi uma reivindicação dos moradores da localidade. "Muitos ainda guardam os panos de prato feitos durante o primeiro Prefeito Presente realizado aqui. Por isso, solicitaram novamente esta ação", comentou Elisama Cabalhero, responsável pela oficina.