Corumbá e Puerto Quijarro firmam parceria em prol da Educação

Representantes da Secretaria Municipal de Educação de Corumbá e de Puerto Quijarro e também da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Campus Pantanal se reuniram para buscar maior interação entre professores dos dois países vizinhos. O objetivo é atender as necessidades dos alunos brasileiros e bolivianos. Para isso, foi firmada parceria para a realização da 1ª Conferência dos Diretores das Escolas de Porto Quijarro e Corumbá e de um curso de português para professores que estão do outro lado da fronteira.

Durante o encontro, o secretário municipal de Educação, Hélio de Lima, ressaltou a importância da interação entre os dois países. "A fronteira não pode ser vista apenas na questão da segurança nacional, com investimentos no combate à criminalidade. Brasileiros e bolivianos se interagem, há troca de informações, de cultura e educação e é necessário levar em conta essa riqueza multicultural", comentou. Por isso, a importância da parceria entre os dois povos.

De acordo com dados da Secretaria Municipal de Educação, 548 bolivianos estudam nas escolas da Rede Municipal de Ensino (Reme). "Detectamos que muitos destes estudantes possuem dificuldades na realização das tarefas e dos conteúdos repassados em sala de aula. Entre as deficiências, estão a compreensão dos vocábulos da Língua Portuguesa e muitos professores não conseguem repassar os ensinamentos de forma clara por não possuírem conhecimento da língua espanhola", observou Hélio.

O secretário aproveitou a oportunidade para solicitar o levantamento de quantos alunos brasileiros estudam nas escolas de Puerto Quijarro. O pedido foi feito para o diretor distrital de Educação do município boliviano, Felipe Benício Montero Aponte, que se surpreendeu com a quantidade de jovens da Bolívia que estudam em uma das escolas da Reme de Corumbá. "É importante esta interação entre as autoridades de Educação dos dois países para que possamos trabalhar em conjunto", observou Felipe.

O encontro surgiu da iniciativa das professoras Suzana Mancilla e Elizabeth Bilange, ambas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campus do Pantanal e atuam nos cursos de Letras, habilitação em Português-Espanhol ou Português-Inglês. "Queremos implantar o projeto ‘Escola de Fronteira', desenvolvido pelo Ministério da Educação nas cidades fronteiriças do Mercosul. Apesar de a Bolívia não fazer parte do grupo, há interesse de levar esse trabalho também aos bolivianos", comentou Suzana.

Para tornar a interação uma realidade, a UFMS irá oferecer um curso de português voltado para professores bolivianos e fazer o mesmo com os profissionais brasileiros. Além disso, está previsto para setembro um encontro entre os diretores dos dois países. A reunião também foi acompanhada por técnicas de supervisão distrital da Secretaria de Educação de Santa Cruz, que está realizando inspeções em Puerto Quijarro e também aprovaram a iniciativa do Brasil de levar uma educação mais qualificada para os povos fronteiriços.