Geopark pantaneiro será apresentado no Centro de Convenções

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) apresenta, na noite desta segunda-feira (20), no Centro de Convenções do Pantanal Miguel Gómez, em Corumbá, a proposta de criação do Geopark Bodoquena-Pantanal. O evento faz parte do processo de avaliação do Geopark pela Unesco. Duas pesquisadoras da França e da Alemanha, membros da Comissão de Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura da Unesco, participarão das atividades. A história do Banho de São João e a tradicional cantoria do Cururu também farão parte da programação, que começa às 19 horas na Prainha do Porto Geral.

Sylvie Giraud (Alemanha) e Marie Luise Frey (França) estão em Mato Grosso do Sul desde o último sábado (18) e já percorreram as cidades de Bonito e Jardim. Durante a tarde desta segunda-feira, as pesquisadoras visitam a região da Cacimba da Saúde, no bairro Cervejaria. Elas permanecem na cidade até o final da manhã de terça-feira. O Geopark Bodoquena-Pantanal abrange áreas parciais de 11 municípios: Bela Vista, Bodoquena, Bonito, Caracol, Corumbá, Guia Lopes da Laguna, Jardim, Ladário, Miranda, Nioaque e Porto Murtinho.

Conforme detalha o dossiê de candidatura à rede global da Unesco, Geopark é uma marca atribuída pela instituição a uma área onde ocorrem excepcionalidades geológicas que são protegidas e aproveitadas como elementos indutores de educação ambiental e de desenvolvimento sustentável. Ele deve ter limites bem definidos; envolver uma área suficientemente grande para possibilitar o desenvolvimento sustentável; abarcar um determinado número de sítios geológicos de especial importância científica, raridade ou beleza e deve ter um papel ativo no processo de educação ambiental e, por meio do geoturismo, no desenvolvimento econômico.

Aspectos arqueológicos, ecológicos, históricos e culturais, também são componentes importantes. É, portanto, um conceito totalmente diferente dos Parques do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), uma vez que pressupõe o desenvolvimento sustentável, não envolve indenizações, não proíbe o uso e ocupação, mas tem por objetivo discipliná-los de forma a preservar o patrimônio geológico e, por meio do geoturismo e ecoturismo, ser um indutor de educação ambiental e de desenvolvimento sustentável.

Quando a Unesco reconhece tais características em determinada região lhe concede a marca de Geoparque, e assim essa região passa a integrar a Rede Mundial de Geoparques, a qual, num sistema de partilha, colaboração e orientação, busca manter uma plataforma de ações visando a proteção do patrimônio geológico e o desenvolvimento sustentável.

A região da Serra da Bodoquena e Pantanal, além de belíssima do ponto vista fisiográfico e envolver importantes e frágeis ecossistemas de grande interesse turístico, no seu substrato rochoso existem particularidades geológicas e paleontológicas que precisam ser preservadas, uma vez que são registros de fundamental importância para o entendimento da evolução da geologia e da vida na Terra, em escala global, além de outras particularidades que se encaixam perfeitamente nos pressupostos de um Geoparque da Unesco.