A pedido do Corumbaense, Ruiter retira projeto de apoio ao clube

O prefeito Ruiter Cunha de Oliveira (PT) encaminha ainda nesta segunda-feira (02) ofício à Câmara Municipal de Corumbá solicitando a devolução do projeto de lei que autorizava apoio financeiro ao Corumbaense Futebol Clube. A medida foi tomada após o prefeito receber do presidente do clube, Francisco Vieira Neto, um manifesto de indignação contra o Legislativo municipal. "Querem construir uma imagem completamente distorcida da realidade. Falar que o dinheiro destinado ao Corumbaense vai prejudicar a saúde de Corumbá é uma temeridade, uma afirmação bastante leviana", afirmou Ruiter.

A finalidade do projeto, segundo o prefeito, foi distorcida por alguns vereadores, que o utilizaram como palanque político e eleitoreiro. "O Poder Legislativo é soberano para analisar qualquer coisa de lei, como é sua atribuição. Mas daí a fazer comentários que não refletem e não condizem com aquilo que de fato representa o projeto de lei, é uma falácia. Querem passar a imagem de algo que não é verdadeiro", complementou. Ruiter também se mostrou indignado com a manipulação feita por determinados vereadores sobre o assunto, na tentativa de criar uma situação política constrangedora ao Executivo.

"Nós recebemos esta indignação do presidente do Corumbaense, que eu também compartilho como cidadão, torcedor do Corumbaense e, acima de tudo, como prefeito, porque quando se iniciou toda esta discussão o Corumbaense veio até nós mostrando a dificuldade que tinha em montar uma estrutura que pudesse fazer frente às suas despesas, dado o conhecimento que eles tinham de como os outros times estavam se preparando", explicou o chefe do Executivo municipal, destacando que o clube trouxe varias leis de municípios de Mato Grosso do Sul que estão apoiando os clubes de sua região, e exemplos de outras unidades da federação.

Inicialmente, a diretoria do Corumbaense havia solicitado à Prefeitura um apoio de cerca de R$ 750 mil, valor que o clube deve gastar nesta temporada com viagens, alimentação, moradia dos jogadores e da comissão técnica e folha de pagamento. Deste montante, o Poder Público Municipal viabilizaria R$ 300 mil. Orçada a ajuda financeira, a diretoria do Carijó da Avenida procurou os vereadores para conhecer a possibilidade de eles aprovarem o projeto de lei. Só depois que a maioria se manifestou a favor da iniciativa, a mensagem foi enviada ao Legislativo. "Infelizmente, alguns vereadores que haviam se manifestado favoravelmente, depois, quando o projeto chegou, começaram a fazer esta discussão leviana, eleitoreira e sem fundamento", definiu o prefeito.

Ruiter enfatizou ainda que os recursos que devem ser destinados à saúde ao longo deste ano foram devidamente aprovados pela Casa de Leis. "O orçamento, que é uma lei que eles mesmos aprovaram, determinou os recursos que devem ser aplicados na área. Não há como se tirar um recurso da saúde, ou da educação, infraestrutura, ou da cultura, para se destinar ao esporte. Este é um recurso adicional que teria que ser feito por complementação de receita vindo de um superávit de arrecadação. Isso que estávamos buscando para atender esta necessidade do clube", detalhou.

Ainda durante a reunião desta segunda-feira, o prefeito se comprometeu a buscar apoio em outras frentes para ajudar o Corumbaense Futebol Clube. "Serei uma dessas pessoas que estarão buscando uma compensação financeira para que o Corumbaense consiga avançar em sua disputa e representar bem o futebol de Corumbá. Talvez até tenhamos a preocupação de outros vereadores. Como o presidente (Francisco Vieira Neto) disse aqui, não são todos que compartilham desta posição isolada de alguns, dessa manifestação egoísta e, acima de tudo, politiqueira".

Segundo o presidente do clube, esta é a segunda manifestação pública de desinteresse da Câmara com a única equipe profissional da região a participar do Campeonato Estadual. A primeira aconteceu no amistoso contra o Botafogo, jogo beneficente que arrecadou verba para construção de uma UTI Neonatal no município. "Enviamos 11 convites para a Câmara e os 11 foram devolvidos. Ninguém colaborou. Ninguém foi capaz de comprar nenhuma cadeira do estádio Arthur Marinho para ajudar na construção da UTI Neonatal", lembrou Vieira Neto.

"A gente fica muito indignado com o presidente da Câmara, o Evander Vendramini, que foi presidente da LEC (Liga de Esportes de Corumbá) e fez um manifesto, quando ele era presidente, ficou até de cueca no Arthur Marinho para pedir a reforma do estádio Arthur Marinho. Agora, quando conversamos com ele para ser aprovada esta lei, ele se manifestou favorável. Depois dá uma entrevista dizendo que vai votar contra", desabafou o presidente do Corumbaense.