Prefeitura assiste ribeirinhos afetados pela cheia no Pantanal

Em janeiro deste ano, a régua que mede a altura do Rio Paraguai no 6º Distrito Naval, em Ladário, marcava um metro. Nesta quinta-feira (31), último dia do mês de março, a marca está em 4,33 metros. Este aumento no volume de água representa mudanças significativas na rotina das famílias que moram às margens do rio e seus afluentes no município de Corumbá. Em várias localidades, a água já invadiu casas, destruiu lavouras, danificou pontes e estradas que ligam os sítios e fazendas aos portos. Na região do Paiaguás, onde mais de 230 famílias sobrevivem da pesca e do que cultivam em pequenas roças, a situação é ainda mais grave.

"No Corixão e no Cedrinho – comunidades banhadas pelo Rio Taquari, distante aproximadamente 180 quilômetros da cidade -, os ribeirinhos passam por um momento bastante delicado. Por causa dos baceiros que se formam nesta época do ano, eles estão praticamente ilhados. Os poucos que conseguiram colher alguma coisa de suas plantações não estão conseguindo chegar até o porto onde vendem ou trocam estes produtos por outros", explicou a pedagoga Lilia Maria Gouveia Bezerra, gestora do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS Itinerante) de Corumbá.

Somente nestas duas localidades, o Programa Social Povo das Águas – iniciativa da Prefeitura de Corumbá, coordenada pela Secretaria Especial de Integração das Políticas Sociais – distribuiu 33 cestas básicas e 30 colchões, além de lonas, colchas, agasalhos e roupas. "Conseguimos atender 100% das famílias cadastradas", comentou Lilia. Durante a sétima edição da ação, realizada entre os dias 22 e 24 deste mês, 116 pessoas receberam atendimentos de enfermagem, 62 foram vacinadas (a maioria crianças), 54 passaram por consultas médicas, outras 20 passaram pelos dentistas e 150 kits odontológicos foram distribuídos no Corixão e no Cedrinho.

Durante os três dias do programa, a Prefeitura também atendeu os moradores das colônias Cedro, São Domingos e do Bracinho. Ao todo, foram beneficiadas 239 famílias, todas assistidas com alimentos, mantas, casacos, roupas e mais 85 kits de verduras disponibilizados pela Fundação de Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) – Compra Direta. Nos portos Sant'Anna, Sagrado, Figueira e Sairu, foram realizados 509 atendimentos de enfermagem, 242 médicos, 60 odontológicos e aplicadas 327 vacinas. Também foram distribuídas 120 lonas, 400 mantas, 1 mil colchas, 800 agasalhos, 80 kits bebe e 250 kits odontológicos.

Área social

Além de levar todos estes serviços aos moradores que vivem em regiões afastadas no Pantanal, o Povo das Águas também realiza o cadastro social dos ribeirinhos. "Durante o atendimento, fazemos o levantamento dos que estão ou não incluídos no Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF)", frisou Lilia Bezerra. Cerca de 90% das famílias atendidas pela sétima edição do programa são cadastrados no Bolsa Família. "Também orientamos essas pessoas sobre os direitos que elas têm, com prioridade para o atendimento médico e social", concluiu Lilia. Outras comunidades afetadas pela cheia também devem ser atendidas com esta e outras ações da Prefeitura em abril.

De acordo com o Serviço de Sinalização Náutica do Oeste, a cheia deste ano já é bem maior que a dos anos anteriores. Em 2010, durante o mês de março, a régua de Ladário ficou praticamente estabilizada (do dia 1º ao dia 30) nos 3 metros. Em 2009, ela saiu de 1,7 metro para 2 metros neste período. Em 2011, no dia 1º de março, a régua estava pouco acima dos 2,5 metros. Nesta sexta-feira (31) ela já atingiu os 4,3 metros.