Na posse de Emiko, Ruiter destaca ações da Embrapa no Pantanal

O prefeito Ruiter Cunha de Oliveira (PT) participou, na manhã desta terça-feira (23), da solenidade oficial de transmissão de cargo na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Pantanal), na qual Emiko Kawakami de Resende assumiu a chefia da unidade em substituição a José Aníbal Comastri Filho. Em seu discurso, Ruiter destacou a atuação da instituição e sua importância para o desenvolvimento sustentável da região. "Primeiramente, agradeço ao Comastre e sua equipe pelo tempo que ficou a frente da instituição, tendo sido um grande parceiro de Corumbá. Ficamos muito felizes com sua atuação", afirmou.

Logo em seguida, o prefeito destacou a capacidade e o conhecimento da nova chefe: "Desejo à Emiko muita sorte e sucesso, o que certamente ela terá graças à sua capacidade e competência. Quero desejar que, juntamente com seus colaboradores, a senhora consiga dar continuidade a este trabalho que vem sendo realizado e consolidar o serviço da Embrapa em nossa região". Na mesma ocasião, Ruiter colocou a Prefeitura à disposição da instituição para a concretização de projeto em prol da comunidade corumbaense.

Também presente à solenidade, o diretor-presidente nacional da Embrapa, Pedro Antônio Arraes Pereira, enfatizou a presença do órgão no Pantanal e apontou os desafios que a unidade deve vencer para seguir para continuar atingindo seus objetivos e melhorando a produção e, consequentemente, a qualidade de vida da população local. "Esse ambiente aqui é praticamente único no mundo, então os desafios são maiores ainda. Os conhecimentos, todos, devem ser gerados aqui. Então os desafios são muito grandes e tenho certeza que vocês vão cumprir", afirmou.

"Como pesquisadores que somos, sabemos que a complexidade dos problemas são muito maiores. Ninguém mais trabalha sozinho, todos os times tem que trabalhar juntos, em equipes fortes. E é isso que tem que acontecer aqui neste bioma tão complexo como o Pantanal", continuou Arraes, que apontou a Embrapa Pantanal como uma das principais ‘grifes' do órgão no País. "Para gente continuar mantendo essa grife efetivamente temos que continuar avançando", reforçou.

José Aníbal Comastri chefiou a unidade entre os anos de 2005 e 2010. Nesta terça-feira, ele agradeceu aos funcionários e pesquisadores pela "convivência, amizade e realizações" e destacou as potencialidades da região. "O Pantanal tem suas especificidades que precisam ser respeitadas, assim como a economia e o bem estar da população. Nossa meta é a aumentar a potencialidade do sistema sustentável da região", afirmou.

Presença no Pantanal

A pesquisadora doutora Emiko Kawakami de Resende já chefiou a Embrapa Pantanal entre os anos de 2001 e 2005. Em seu discurso de posse, ela relembrou a história da instituição e sua presença no Pantanal sul-mato-grossense. "A Embrapa Pantanal foi instalada em fevereiro de 1975 como uma EPA (Unidade de Execução de Pesquisa em Âmbito Estadual). Ao longo de seus 36 anos, passou por várias fases. A primeira constou de aplicação de técnicas tradicionais e funcionais de pesquisas agropecuárias na época, com 15 pesquisadores, tentando encontrar as melhores forrageiras exóticas para a melhoria da pecuária de corte extensiva praticada na região", recordou.

No entanto, ela relatou que se verificou que não foi a melhor abordagem, pois os experimentos literalmente morreram afogados em água, porque 1974 e 75 foram os anos em que começaram as grandes enchentes. Conforme ela, surgiu daí a necessidade de se entender melhor este ecossistema. Para isso, em 1976 foi contratada uma equipe multidisciplinar de pesquisadores com diferentes formações. "Essa segunda fase foi muito positiva em termos de entendimento do Pantanal e desenvolvimento a tecnologias adaptadas à região", explicou.

"Nesta fase foi desenvolvida a metodologia do censo aéreo para estimativa populacional de grandes vertebrados, aplicáveis também a outras regiões do Bril e do mundo. Hoje sabemos que existem no Pantanal cerca de 270 espécies de peixe, 152 de mamíferos, 40 anfíbios, 70 répteis, mais de 550 espécies de aves e 2 mil espécies de plantas e que o processo ecológico essencial que regula ambientes inundáveis é o pulso de inundação, que é o ir e o vir de águas a cada ano, o que explica a riqueza a diversidade e a bonança de vida no Pantanal. Ou seja, encher e secar a cada ano é o que faz o Pantanal ser como é", finalizou.