Fumacê só em caso de epidemia, explica Secretaria de Saúde

O secretário municipal de Saúde, Lauther da Silva Serra, a coordenadora-geral de Vigilância em Saúde de Corumbá, Viviane Campos Ametlla, e a bióloga Grace Bastos, que responde interinamente pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), receberam na tarde desta terça-feira (21) técnicos da área de controle de vetores da Secretaria de Estado de Saúde. O grupo vai passar a semana na cidade avaliando as medidas tomadas no combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue.

Nas vistorias iniciais, os técnicos avaliaram de forma bastante positiva a atuação da Secretaria de Saúde. Elogiaram o trabalho integrado do Comitê de Combate a Dengue e apontaram alguns pontos onde as ações podem ser reforçadas. Outro assunto bastante discutido durante a reunião foi o uso do ‘fumacê'. O grupo entendeu ser desnecessário a utilização do inseticida na região, uma vez que os níveis de infestação estão bem abaixo do registrado em anos anteriores.

"Este será o primeiro Carnaval dos últimos 10 anos onde não será preciso utilizar o ‘fumacê'. Isso é uma conquista importante", afirmou Lauther Serra, lembrando que o combate ao mosquito teve início ainda na época da estiagem, com o bloqueio manual feito pelos agentes de endemias. "O inseticida é o último recurso que temos e só deve ser utilizado quando há uma epidemia", alertou. Segundo o secretário, a grande quantidade de mosquitos é comum nesta época, o que foi agravado pelo maior volume de chuva neste ano.

Em 2010, foram notificados 296 casos de dengue nas primeiras três semanas de fevereiro. Em 2011, este número caiu para 26. "Entre o final do mês e o início de março vamos realizar o Levantamento de Índice Rápido de Infestação de Aedes aegypti (LIRAa), que vai nos oferecer mais subsídios para combater o Aedes aegypti", afirmou Viviane Ametlla.

A médica veterinária também reforçou que a utilização do ‘fumacê' neste momento atrapalharia o trabalho desenvolvido durante todo o período. "Caso utilizemos o inseticida agora, iremos reduzir o número de mosquitos que tem incomodado a população, porém, depois do carnaval, quando acabam as chuvas, caso surgisse uma epidemia de dengue, os mosquitos estariam resistentes, diminuindo a ação do ‘fumacê' e não surtindo o efeito que deveria", explicou.

Viviane salientou o trabalho da Prefeitura será reforçado pelos homens contratados pela Secretaria de Infraestrutura, Habitação e Serviços Urbanos e que estão sendo destacados para limpeza de terrenos baldios, o que possibilitará eliminação de possíveis focos da dengue. Ela ressaltou ainda o apoio de parceiros, como o Exército, a Marinha e entidades religiosas e de bairros, mas enfatizou a participação de toda a sociedade no combate a doença.

"Cada um tem que fazer sua parte: manter seu terreno limpo, não deixar pneus ou outros materiais que possam acumular água a céu aberto, assim como os vasos de plantas e ficar atentos com as caixas d'águas e as calhas, possíveis focos do mosquito transmissor da dengue".