Saúde vai agir com rigor contra quem ‘mantêm’ focos da dengue

O setor de saúde pública da Prefeitura de Corumbá vai agir com rigor contra proprietários de imóveis que não eliminarem focos de proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, dentro de seus domicílios. O primeiro passo será a notificação e, em caso de reincidência, a aplicação de multas, tendo como base a lei complementar nº. 102/2007, que prevê uma série de sansões para quem colocar em risco a saúde pública. A informação é da médica veterinária Viviane Ametlla, coordenadora-geral de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde.

A relação dos imóveis com focos da dengue foi elaborada a partir do Levantamento de Índice Rápido de Infestação de Aedes aegypti (LIRAa), que detectou incidência de 2,2% de infestação predial do mosquito em Corumbá. "Os endereços já foram encaminhados para a Vigilância Sanitária para que seja providenciada a notificação dos proprietários e, no próximo LIRAa, caso seja encontrado foco neste mesmo imóvel, o proprietário será multado, conforme o que estabelece a lei", explicou Viviane.

A coordenadora-geral lembra que a ação será idêntica aos casos dos imóveis fechados e terrenos baldios, cujos proprietários já estão sendo notificados para efetuar a limpeza. Caso não o façam, a Prefeitura providencia o serviço, cobra uma taxa pelos serviços e multa o proprietário ou responsável pelo imóvel. "Vamos agir da mesma forma com relação aos imóveis ocupados que apresentam focos da dengue e os proprietários não fazem a limpeza", afirmou.

Mega operação

Enquanto a Vigilância Sanitária estabelece um cronograma para notificar os proprietários dos imóveis detectados como de alto risco para proliferação da dengue, o setor de Educação em Saúde está desenvolvendo um trabalho educativo nas residências que apresentaram focos durante o último LIRAa, como parte da mega operação desencadeada na segunda-feira (10), no bairro Aeroporto, ‘campeão' de focos da dengue na cidade, com uma incidência de infestação predial de 7,06%.

A ação segue até o fim da tarde desta quarta-feira (12) e está sendo desenvolvida por agentes de endemias, militares, além de servidores do setor de educação em saúde e da Vigilância Sanitária. Além da orientação, estão sendo eliminados focos da doença, com tratamento dos reservatórios, instalação de capas nas caixas de água ao nível de solo e suspensas, e ainda mutirão de limpeza.

Mesmo conhecendo os riscos da doença, Vitorino da Silva, 70 anos, morador na Rua Cyríaco de Toledo, convive com grande quantidade de material propício ao surgimento da dengue. Ele foi visitado na manhã desta quarta-feira pelo agente de endemias Domingos Sávio, que ficou preocupado. "O morador tem que se conscientizar dos riscos que ele e os vizinhos estão correndo", comentou, observando que no imóvel encontrou muito lixo, material extremamente propício à proliferação do mosquito da dengue.

Domingos destacou que muitos moradores de Corumbá deveriam seguir o exemplo de Jorcinéia Silva, 30 anos, também moradora da Rua Cyríaco de Toledo. "Ela está de parabéns. Seu imóvel está 100% livre de material que pode ser foco da proliferação do mosquito", elogiou, observando garrafas de vidro e outros recipientes com a boca para baixo para evitar acúmulo de água. "A gente tem que fazer nossa parte. Tem que manter tudo limpo", disse a moradora, auxiliada pela mãe, Solange Galeano, que também faz questão de manter a limpeza da casa e do quintal para evitar a dengue e outras doenças endêmicas.

A mega operação será desenvolvida em todos os bairros com índices acima de 1% de proliferação do Aedes aegypti. Nesta quinta-feira (13), conforme cronograma do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), o bairro atendido será Popular Velha, com 3,64%. Outras localidades que serão ‘atacadas' são Maria Leite (5,33); Guatós (2,99); Cristo Redentor (2,7); região central 1 (da Rua Edu Rocha até a Rua Antonio Maria Coelho, 2,5); Nova Corumbá (1,72); região central 2 (da Antônio Maria Coelho até a rua Albuquerque, 1,71); Universitário (1,61) e bairro Dom Bosco (1,16%). São regiões que estão com índices acima do aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de até 1%.