Famílias começam a deixar Alfândega rumo ao conjunto Ana Brites

A Prefeitura de Corumbá disponibilizou, desde a tarde desta quinta-feira (6), dois caminhões e 10 homens para auxiliar na mudança dos moradores do antigo prédio da Alfândega, localizado na Rua Domingos Sahib, no Porto Geral da cidade. Até o fim desta semana, todas as 15 famílias que habitam o local estarão reassentadas no conjunto Ana de Fátima Brites Moreira, no bairro Guatós. "É uma grande alegria", resumiu Maria Amélia, 46 anos. Moradora do local há 32 anos, ela conta que foi ali que criou os quatro filhos, o mais velho com exatos 32 anos, e o neto, hoje com sete anos.

"Muita gente pensa que aqui é lugar de gente à toa, bandido, usuário de drogas. Mas todo mundo aqui é trabalhador. Todos que moram na Alfândega dão muito duro para sustentar a família com dignidade", desabafou a moradora. Aos 70 anos, Dona Aurora, como prefere ser chamada, foi a primeira pessoa a ocupar o antigo prédio da Alfândega. "Cheguei aqui em 1972", recorda.

Apesar da tristeza em deixar para trás grande parte de sua história, ela está otimista quanto ao novo lar. "É uma vida nova que começa". A maior tranquilidade de Dona Aurora é saber que, no conjunto Ana Brites, foram respeitados todos os laços de convivência formados ao longo dos vários anos de ocupação. "A vizinhança vai continuar a mesma", destacou.

As famílias da antiga Alfândega estão sendo levadas para a quadra 54. Quanto ao imponente prédio do Porto Geral, ele será completamente reformado pelo Governo Federal e repassado à Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). A restauração está orçada em R$ 3,4 milhões.

Outros R$ 1,3 milhão serão aplicados na compra de equipamentos necessários ao funcionamento dos programas de extensão do curso de Educação Física, de apoio à Pós-graduação em Estados Fronteiriços e Educação, sala de projeção de filmes, biblioteca setorial, apoio a projetos culturais, alojamento para estudantes de pós-graduação e do curso de Música, que funcionarão no local.

A obra está incluída no PAC das Cidades Históricas, que contempla também o processo de soterramento da fiação elétrica do Porto Geral. Somando os dois projetos, desenvolvidos em parceria com a Prefeitura, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Ministério da Cultura e Ministério da Educação, o município receberá investimentos de aproximadamente R$ 11 milhões.