Programas entusiasmam alunos e deixam professores gratificados

No primeiro ano de desenvolvimento dos programas Se Liga e Acelera Brasil em Corumbá, os resultados já são considerados muito positivos. Na Rede Municipal de Ensino (Reme), crianças que frequentam as primeiras séries do Ensino Fundamental, que até bem pouco tempo atrás não sabiam ler nem escrever, comemoram e vislumbram um futuro promissor depois que passaram a integrar o Se Liga. Algumas professoras, que pensaram até em se aposentar, após um início tumultuado e cheio de angustia, sentem-se gratificadas pelo sucesso alcançado. Tudo por estar sentindo a importância que têm a iniciativa na vida dos pequenos estudantes.

Os dois programas mudaram radicalmente a vida de quem participa deles, incluindo os familiares dos alunos, antes rebeldes ou inibidos, mas que, após conquistarem o dom da leitura e da escrita, se transformaram. "O comportamento deles é muito melhor, elogiado inclusive na escola", testemunha a professora Maria da Graça Antunes Céspedes, que aos 62 anos, deixou de lado a aposentadoria, para continuar mantendo uma relação de afeto e carinho com as crianças.

Maria das Graças é uma das 27 professoras capacitadas pelo Instituto Ayrton Senna para repassar uma nova metodologia de ensino aos alunos do Se Liga e Acelera Brasil, juntamente com quatro supervisores. Destacada na Escola Municipal José de Souza Damy, do bairro Cristo Redentor, ela confessa que, no início, em março de 2010, chegou a pensar em abandonar o programa, solicitar sua aposentadoria. Hoje, oito meses depois, diz que tudo mudou.

"Em 31 anos de trabalho com as crianças, pela primeira vez tive acesso a um programa como o Se Liga. No início, me deu muita angústia. Mas, aos poucos, percebi que com seriedade, compromisso e, principalmente, amor por eles, que são extremamente carentes de afeto, muitas conquistas são possíveis. Hoje, dos 23 alunos, eu percebo que quase 100% sabem ler e escrever. Além disso, o comportamento é muito melhor do que antes. São até elogiados na escola", comemora a educadora.

Com apenas dois meses de trabalho, Maria das Graças colocou no papel todos os problemas enfrentados no início do programa. No artigo, contou que enfrentou alunos rebeldes, que não demonstravam o menor interesse pelo aprendizado. Relatou a sua angústia, as dificuldades encontradas que, aos poucos, foram vencidas. "O início foi difícil, mas resolvi aceitar o desafio, cumprindo o meu papel. Hoje a realidade é outra e cada um deles faz parte da minha vida. Todos mostram que querem aprender realmente. Ainda tenho três ‘ovelhas desgarradas', mas que também vão aprender a ler e escrever", comemora, lembrando que tudo aconteceu a partir do momento em que entendeu os limites de cada criança e procurou orientá-las da melhor forma.

Resgate

Exemplo do resultado positivo do programa Se Liga é o pequeno João Pedro da Silva Pereira, 14 anos, que não sabia ler e muito menos escrever. No início do ano, era apontado como um dos mais rebeldes da escola. Hoje, mudou totalmente. "Começamos a ganhar sua confiança a partir do dia em que o escalamos para tomar conta do portão, durante o recreio, evitando que as crianças saíssem da escola. Ele se sentiu útil e, depois disso, nos surpreendeu a se dirigir ao quadro negro e ler uma frase", comentou a professora.

Foi justamente João Pedro que, nesta semana, durante uma manhã na Escola Damy, liderou o grupo de alunos para uma apresentação musical, convidando a diretora do estabelecimento, professora Márcia Ivana do Amaral e a coordenadora Simone de Carvalho Marinho Evangelista. O ‘coral' foi formado pelos alunos de 9 a 14 anos, e João Pedro escolheu a dedo a canção: "Faz um milagre em mim", de Regis Danese. O pequeno estudante já pensa no futuro. Planeja servir o Exército e seguir a carreira militar. Seu sonho é servir em Forte Coimbra.

O coordenador dos dois programas da Secretaria Executiva de Educação, Fernando Silva da Cruz, presenciou o ato. No entender dele, foi mostra de "que os resultados estão acontecendo e são altamente positivos, significativos, que chegam a 90% de alfabetização efetiva e progressão dos alunos nos programas".

Para a diretora da escola, os dois programas já estão colhendo bons frutos, destacando todo o trabalho desenvolvido nas salas multisseriadas e afirmando que tudo representa o resgate daquilo que ficou para traz. Para ela, as crianças "tiraram uma venda dos olhos, estão vendo o mundo de uma forma diferente, estão com vontade própria de querer aprender mais". Por fim, a educadora creditou o sucesso a todos: professores, coordenadores, diretores e a própria Secretaria de Educação, afirmando que o atual momento é o "início de uma nova era".