Famílias vivem expectativa da mudança para o novo conjunto

"Ficar nesse sofrimento até quando? Não vejo a hora de me mudar e passar o Natal em uma casa digna com meus filhos", afirma Jaqueline Casanova da Silva, 34 anos, mãe de duas crianças, expressando a ansiedade das 171 famílias do Cravo Vermelho III que serão reassentadas no novo conjunto habitacional que a Prefeitura de Corumbá está construindo no bairro Guató, parte alta da cidade, em parceria com o Governo Federal, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ela foi uma das chefes de família que se reuniram com a equipe técnica social do PAC-Casa Nova, na tarde de quinta-feira (25), quando conheceu o novo endereço e soube que a mudança deve ocorrer ainda em dezembro.

Jaqueline é uma das pessoas que, sete anos atrás, ocuparam uma área particular na região do Cravo Vermelho, mais tarde denominado Cravo III. No local residem cerca de 250 famílias, mas somente 171 concordaram em deixar suas atuais moradias para morar em um conjunto habitacional dotado de todos os equipamentos urbanos, como creche, unidade de saúde, Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), praça de esporte, além de asfalto, água, luz, esgoto e até rede de telefone passando na porta das casas. "No Cravo é um verdadeiro sofrimento. Quando chove, então… Além da lama, a água invade nossas casas. Já tive até que sair correndo de casa por causa da chuva", diz, preocupada com os filhos.

A intenção da Prefeitura de Corumbá era remover todas as 250 famílias do Cravo III. No entanto, conforme relatou um dos próprios moradores e integrante do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), Iracemi Pereira da Cruz, uma parte preferiu ficar no local. "A área é particular. Não tem qualquer infraestrutura, mesmo porque a Prefeitura nada pode fazer, pois o local não é do Poder Público. Além disso, o Município não pode tirá-las. Estão indo para o novo conjunto as famílias que fizeram esta opção", comenta.

E Iracemi foi um dos integrantes do movimento que, em 2003, 'invadiu' a área. "A época era muito difícil. Muita gente não tinha casa. Encampamos a luta e ocupamos a área", relembra, observando que, mais tarde, foi dividida em 285 lotes. Ele relata que o sonho era se fixar no local, mas como se tratava de área particular e com muitos herdeiros, tornou-se difícil a compra por parte do Poder Público. Além disso, as condições do terreno não são adequadas à moradia, por se tratar de uma ‘bacia', ficando constantemente alagado e inundando as casas.

"Eu mesmo construí a minha casa lá. Mas não pensei duas vezes quando surgiu este projeto e optei pela mudança", conta, destacando que a confiança veio a partir do momento em que percebeu que estava surgindo uma política séria para o setor habitacional. "Temos que agradecer isto ao presidente Lula. A política habitacional no Brasil se transformou após seu governo", pontua, lembrando em seguida que, em Corumbá, a situação também mudou com a atual administração municipal.

"Quando assumiu, o prefeito Ruiter (Cunha de Oliveira – PT) nos ouviu, abraçou a nossa causa e demonstrou ser uma pessoa acessível. Criou até uma secretaria para a área (de Habitação e Regularização Fundiária)", salienta, prosseguindo: "Ele entendeu a questão e o resultado está aí: fez parceria com o Governo Federal e está nos proporcionando um projeto pioneiro no País. Não é só casa. Tem asfalto, água, luz, esgoto, creche, posto de saúde, CRAS e até uma praça esportiva. É completo. Só temos que agradecer".

Iracemi também não vê a hora de se mudar para o novo conjunto: "Quero passar o Natal na casa nova". Ele só lamenta a ausência de uma companheira, Ana de Fátima Brites Moreira, falecida em 2009. "Ela sempre esteve conosco, fez parte do movimento. Foi uma companheira de todos e será sempre lembrada. O prefeito já afirmou que dará o nome dela a esta primeira etapa do conjunto onde residiremos", finaliza.