Corumbá trabalha para reduzir índice de infestação da dengue

O setor de saúde pública da Prefeitura de Corumbá está intensificando cada vez mais as ações de prevenção e combate à dengue, visando reduzir os índices e, ao mesmo tempo, já se preparando para a chegada do verão, época propícia à proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. O último Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), sexto ciclo de 2010, apontou incidência de 1,5% de infestação predial na cidade, considerado de médio risco (0,5% acima do aceitável pelo Ministério da Saúde), o que levou a equipe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), ligado à Secretaria Executiva de Saúde, reforçar ainda mais os trabalhos, como parte da mega operação desencadeada em outubro.

Mais uma vez, o LIRAa apontou os reservatórios de água ao nível de solo como principais 'vilões' do índice. De acordo com o levantamento, eles são responsáveis por 76,2% da incidência em toda a área urbana. O levantamento foi feito na semana passada e já encaminhado ao Ministério da Saúde. Até quinta-feira (11), Corumbá tinha sido a única cidade, entre 20 de Mato Grosso do Sul, a repassar informações referentes ao sexto ciclo do LIRAa.

Realizado em quatro setores da cidade, o trabalho constatou que a maior preocupação está na área definida como estrato 4, integrada pelos bairros Aeroporto, Guarani, Jardim dos Estados, Nova Corumbá e Popular Nova, que fechou com 2,54%. Já no estrato 3, composto pelo Centro América, Cristo Redentor (Vitória Régia, Cristo Redentor e Cravo 1, 2 e 3), Nossa Senhora de Fátima, Popular Velha e Guatós, está com 1,82%.

Os outros dois setores apresentaram índices mais baixos. No estrato 2, por exemplo, a taxa atingiu 1,15%. A área é integrada pelos bairros Beira Rio, Centro 2 (da Rua Antonio Maria à Rua Albuquerque), Maria Leite, Universitário, Industrial e Previsul. Já o estrato 1, Arthur Marinho, Cervejaria, Dom Bosco, Generoso e Centro 1 (da Rua Edu Rocha até a Rua Antonio Maria), ficou com 0,59%.

Entre os bairros, as maiores preocupações são a Popular Velha, com 3,17%; Universitário, com 3,92%; Centro América, com 6,06%, e Aeroporto, com 7,14%, o com maior incidência. Também estão acima do aceitável o Cristo Redentor, com 1,49%; Popular Nova, com 1,475; Jardim dos Estados, com 1,39%; Centro 1, com 1,14%, e Centro 2, com 1,10%.

Após o fechamento do sexto ciclo do LIRAa, as equipes desencadearam uma série de ações, principalmente nas áreas consideradas mais preocupantes. Um dos trabalhos foi justamente a disponibilização de capas para caixas de água, principalmente as localizadas ao nível de solo. Além disso, foi desenvolvido trabalho de eliminação de possíveis criadouros do mosquito, limpeza e conscientização da população.

Todas as ações fazem parte da mega operação iniciada em outro, que já proporcionou a retirada de mais de 130 toneladas de resíduos como galhos, recipientes, entre outros, durante as limpezas dos imóveis realizadas pelos agentes de endemias em parceria com o Exército Brasileiro e apoio da Secretaria de Desenvolvimento Integrado.

Ao mesmo tempo, a Prefeitura está desenvolvendo uma gincana entre alunos da Rede de Ensino com foco na prevenção à dengue. A atividade faz parte das ações que antecedem o Dia D de combate à doença, marcado para 26 de novembro, como forma de estimular a população a se engajar cada vez mais na mega operação desenvolvida em toda a área urbana do município. A competição está sendo desenvolvida por meio de uma parceria entre as Secretarias Executivas de Saúde Pública e de Educação, envolvendo trabalhos lúdicos e criativos no combate à dengue em cada comunidade, rua, associação ou entidades.

Os trabalhos deverão ser apresentados pelos alunos até dia 24. Os temas que estão sendo trabalhados pelas escolas são: Uso adequado de A2 (reservatório ao nível de solo); Destino adequado de pneumáticos inservíveis; Descarte adequado de D2 (Lixo); e Terrenos Baldios e Imóveis fechados e abandonados. O resultado será divulgado no Dia D, quando será cumprida uma vasta programação no Centro Popular de Cultura, Esporte e Lazer Nação Guató.

Novo vírus

Conforme informações do Ministério da Saúde, em 2010, até 16 de outubro, foram notificados 936.260 casos de dengue clássica no país, dos quais 14.342 foram classificados como graves. O número de mortes foi de 592. No mesmo período de 2009, foram 489.819 notificações, com 8.714 casos graves e 312 óbitos.

A recirculação do sorotipo DENV-1, que havia predominado no país no final da década de 90, está entre os fatores que contribuíram para o aumento de casos em 2010. Em quase todos os estados, há um grande contingente populacional sem imunidade a este sorotipo. Isto, aliado aos altos índices de infestação revelados pelo LIRAa 2009, representou um cenário favorável à transmissão da dengue em grande escala no Brasil, neste ano.

Além disso, conforme aponta o Risco Dengue, a manutenção de condições precárias de saneamento básico e a irregularidade da coleta de lixo em muitos municípios brasileiros impedem a redução dos índices de infestação pelo mosquito Aedes aegypti. "A falta de abastecimento de água obriga as pessoas a armazenarem em caixas d'água, tonéis, latões sem a devida proteção. O lixo acumulado também abastece o ambiente, de forma permanente, com vários criadouros ideais para a fêmea do mosquito depositar seus ovos", explica o coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue, Giovanini Coelho.