Abraço da Paz marca luta pelo fim da violência contra mulher

Um abraço à imagem do Cristo Rei do Pantanal, no alto do Morro do Cruzeiro, marcou a abertura da programação da campanha "16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher" em Corumbá. O ato, denominado de "Abraço da Paz pelo Fim da Violência contra a Mulher", aconteceu na manhã deste sábado, 20 de novembro, e reuniu mulheres, homens, inclusive crianças, e marcou também o Dia da Consciência Negra, feriado municipal (hoje também é estadual) instituído pelo prefeito Ruiter Cunha de Oliveira (PT), para lembrar Zumbi dois Palmares e a sua luta contra a escravidão no Brasil.

O "Abraço ao Cristo" foi comandado pela Gerência de Políticas Públicas da Mulher, ligada à pasta da Secretaria de Promoção da Cidadania, da Prefeitura de Corumbá. De hoje até 10 de dezembro, a programação prevê uma série de realizações, entre palestras, fóruns, rodas de conversas, blitz e atos envolvendo instituições que lutam pela garantia dos direitos da mulher.

"Queremos, mais uma vez, mobilizar toda a sociedade corumbaense para que mantenha esta luta tão importante, pelo fim da violência contra a mulher. Temos que fazer com que a mulher também exerça os seus direitos, garantidos pela Lei Maria da Penha, denunciando todo tipo de violência cometido contra ela", afirmou Cristiane Santana de Oliveira, gerente da Mulher.

A presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Lucinéia Barreto, informou que pesquisas apontam uma redução dos casos de violência contra a mulher, após a Lei Maria da Penha. "Antes, tínhamos uma média de 60 a 70 denuncias de violência contra a mulher. Hoje, registros da Delegacia da Mulher dão conta de que este número diminuiu. A média está em 35. Ainda é alto e a nossa luta é reduzir ainda mais", disse, pregando uma maior conscientização por parte da população, para que denuncie casos de agressões cometidas contra a mulher.

O "Abraço da Paz" marcou também as celebrações do Dia da Consciência Negra. Presentes ao evento no alto do Morro do Cruzeiro, integrantes do Instituto de Mulheres Negras do Pantanal, bem como o o sobrinho-bisneto de João Candido, líder da Revolta da Chibata, o engenheiro civil e de segurança do trabalho, João Candido de Oliveira Neto, que veio a Corumbá para divulgar o documentário A História de João Cândido – Líder da Revolta da Chibata.

As atividades em Corumbá estão sendo desenvolvidas em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Instituto de Mulheres Negras do Pantanal, Jornal da Mulher, Conselho dos Direitos da Mulher de Aquidauana, Funec, Agetrat, Grupo UNO da UFMS (Campus do Pantanal), Fundação de Cultura e Turismo do Pantanal, Secretaria Executiva de Assistência Social, Fórum de Mulheres do Campo, DASSC, Central Única das Favelas (CUFA) – Núcleo "Maria Maria", Casa dos Conselhos e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Subseção Corumbá.

A campanha "16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher" ocorre em 154 países. No Brasil, é aberta no Dia da Consciência Negra, representando a dupla discriminação sofrida pelas mulheres negras. Criada em 1991 pelo Centro para Liderança Global das Mulheres (Center for Women's Global Leadership), a campanha desempenha um papel fundamental na luta pela erradicação da violência contra as mulheres em todo o mundo. Trata-se de uma mobilização educativa e de massa pela garantia dos direitos humanos.

No Brasil, a iniciativa está sob a coordenação da ONG Agende Ações em Gênero, Cidadania e Desenvolvimento e, desde 2007, é promovida conjuntamente com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), apoiadora e parceira desde 2003. A campanha envolve ainda redes e articulações nacionais de mulheres e de direitos humanos, órgãos do Executivo e Legislativo federal, empresas públicas, estatais e privadas, além de representações das agências das Nações Unidas no País.