Prefeitura suspende vacinação contra raiva animal em Corumbá

Atendendo orientação do Ministério da Saúde, a Secretaria Executiva de Saúde Pública de Corumbá suspendeu preventivamente, a partir desta sexta-feira (8), a campanha de vacinação contra raiva animal, iniciada nesta semana. É o que informa a gerente de Vigilância em Saúde da Prefeitura, médica veterinária Viviane Ametlla, alegando que a decisão foi tomada após receber uma nota técnica emitida pelo ministério, que está realizando investigações sobre reações à vacina.

Viviane informou que a decisão do Ministério da Saúde atinge todo o País e foi tomada após resultados preliminares de investigação laboratorial informados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), realizada com cobaias, que indicou a ocorrência de efeitos graves e mortes depois da vacinação que, até então, não eram previstos na literatura científica disponível. Com base nesses resultados, como medida cautelar, o MAPA recomendou a interrupção temporária do uso da vacina, até que a investigação laboratorial seja concluída.

Em Corumbá, a vacinação foi iniciada na terça-feira (5) e, até o momento, 1,5 mil animais já foram imunizados. Conforme Viviane, a partir desta sexta-feira, agentes de endemias e soldados do Exército Brasileiro, parceiro na campanha, vão visitar todos os imóveis onde foram vacinados cães e gatos, para identificar possíveis efeitos colaterais. O serviço terá orientação da médica veterinária Walkíria Arruda, responsável pelo monitoramento.

Ao mesmo tempo, a Secretaria Executiva de Saúde orienta as pessoas que já tiveram seus animais vacinados para, em caso de qualquer anormalidade do cão ou gato, entrar em contato por telefone com o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) pelo telefone 3233-2783, e explicar a situação. O órgão informa que, ao longo do fim de semana e do feriadão, haverá uma equipe de plantão para atender qualquer emergência.

Efeitos

Entre os efeitos que não eram previstos e que foram observados estão hemorragia, dificuldade de locomoção, hipersensibilidade de contato e intensa prostração. Vale ressaltar que os resultados laboratoriais preliminares indicam alterações ocorridas apenas nas amostras colhidas nos estados. Essas alterações não haviam ocorrido nos testes iniciais feitos pelo MAPA para a liberação da vacina, nem na contraprova de amostras mantidas em estoque.

De acordo com o diretor de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Eduardo Hage, as informações sobre ocorrência de mortes e casos graves disponíveis até a última quarta-feira não eram suficientes para suspender a vacinação. Segundo Hage, embora os dados laboratoriais parciais ainda não sejam suficientes para afirmar a real causa das mortes, elas estão associadas temporalmente à vacina, pois os sintomas nos animais começaram em até 72 horas após a aplicação, além de ter ocorrido aumento de notificações por parte dos estados, nesta semana.

"Até então, tínhamos relatos de mortes e casos graves nos estados, mas sem evidências de estudos controlados em laboratório. Agora que temos essas informações, mesmo que preliminares, decidimos suspender a vacinação preventivamente, até que os estudos sejam concluídos", explica Eduardo Hage. A vacina que está sendo analisada é a RAI-PET®, produzida pelo laboratório Biovet, que desde 2003 tem registro no MAPA – responsável pela realização de testes de qualidade nas vacinas utilizadas em animais. Para a campanha de vacinação antirrábica em cães e gatos de 2010, o Ministério da Saúde comprou 30,9 milhões de doses da vacina, por R$ 23,4 milhões.

Do total de doses, já foram distribuídas 22,6 milhões aos estados. Atualmente, o Ministério da Saúde tem 7,3 milhões de doses da vacina em estoque. Com a recomendação de suspender a campanha, as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde devem manter as vacinas acondicionadas em ambiente refrigerado, entre 2 e 8 graus centígrados, até a conclusão dos estudos em andamento.

Desde julho, a vacinação já foi iniciada em 22 estados e no Distrito Federal. Foram vacinados 7,9 milhões de animais. A meta é vacinar 28,5 milhões de cães e gatos. De 12 de agosto a 6 de outubro, as Secretarias Estaduais de Saúde notificaram ao Ministério 1.401 eventos graves envolvendo animais, dos quais 217 mortes, ocorridas no Distrito Federal, Espírito Santo, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, São Paulo e Tocantins. Nesses 11 estados e no DF, foram imunizados, até 6 de outubro, 5,8 milhões de cães e gatos.

O monitoramento dos eventos adversos graves vem sendo realizado pelo Ministério da Saúde, em parceria com estados e municípios, desde a notificação das primeiras ocorrências, no Rio de Janeiro e em São Paulo. De acordo com a literatura científica, são consideradas reações graves, após a vacinação de animais, somente a anafilaxia (reação sistêmica à vacina) e a morte. Outras reações são consideradas normais, como dor e pequeno inchaço no local da aplicação (consideradas leves); e letargia, febre e sonolência (moderadas).

A vacina utilizada até o ano passado, a Fuenzalida & Palacios, assegurava proteção durante seis a sete meses. Por isso, nas áreas de maior risco (regiões Norte e Nordeste), eram realizadas duas campanhas anuais. A vacina RAI-PET assegura proteção durante um ano, o que levaria à realização de apenas uma campanha anual.