Após intervenção, hospital consegue ajustar receitas e despesas

Ente os dias 12 de maio e 12 de setembro deste ano, o Hospital de Caridade de Corumbá teve receita de R$ 3.836.038,80, considerando todas as fontes regulares e convênios com planos de saúde. Nesse mesmo período, as despesas foram de R$ 3.737.084,90, também incluindo todas as despesas correntes, aquisições e até mesmo pagamento de multas trabalhistas. Esses números demonstram que, desde que a Junta Interventora assumiu a administração da instituição, houve um superávit (diferença entre o que é arrecadado e o que é gasto) de R$ 98.953,90.

O dinheiro, conforme o presidente da Junta, Lamartine de Figueiredo Costa, tem ajudado a Santa Casa a realizar os investimentos na parte física e de pessoal. "Conseguimos, por exemplo, deixar em dia o repasse dos convênios aos médicos, que estava atraso desde março de 2009. Eram cerca de R$ 60 mil que a antiga administração recebia e não repassava. Em respeito aos profissionais, pagamos todos os atrasados e, no próximo dia 10, deixaremos tudo regularizado", afirmou, acrescentando: "Também foi possível dobrar o número de enfermeiros formados. Eram seis e agora são 12, e com perspectiva de mais contratações".

Técnicos da Gerência de Gestão da Informática da Prefeitura de Corumbá estão trabalhando na recuperação e aperfeiçoamento da rede interna de informática, com o objetivo de proporcionar um padrão mínimo de segurança. Essa e outras medidas e a transparência na administração refletem na qualidade do serviço prestado à população local e aos bolivianos da fronteira. "Hoje existe uma harmonia no trabalho, do corpo clínico à enfermagem. Não é uma mudança fácil, mas já está ocorrendo neste curto tempo. A situação do hospital hoje é bem diferente de seis ou sete meses atrás", disse o médico Marco Antônio Duarte Cazzolato, diretor clínico da Santa Casa.

Caminho certo

Para o promotor de Justiça e Cidadania de Corumbá, Ricardo de Melo Alves, a intervenção no Hospital de Caridade foi uma medida "extremamente necessária". Durante a prestação de contas dos primeiros quatro meses de atuação da Junta, realizada nesta segunda-feira (4) no Centro de Convenções do Pantanal Miguel Gómez, ele afirmou que o antigo método de administração da instituição era "um modelo falido". Conforme ele, da forma como estava, não havia a transparência que deveria existir, e que a intervenção só ocorreu porque o hospital apresentava "precariedade severa, causando sérios riscos à comunidade".

Ainda de acordo com o promotor, já é possível observar que a estrutura e os trabalhos melhoraram. "Da maneira como está a intervenção, existe maior participação da comunidade e transparência", ressaltou. Os relatórios encaminhados ao Ministério Público Estadual (MPE) serão todos analisados. "(O déficit nas contas) pode ser apenas resultado de meras deficiências nas gestões administrativa e contábil do hospital, ou denotar abuso ou má-fé. Constatado abuso ou má-fé, com certeza isso vai ensejar ação de improbidade ou até mesmo prática de crimes pelos responsáveis", complementou.

Receitas e despesas

Da receita de R$ 3.836.038,80 divulgada pela Junta Interventora, R$ 2.434.281,40 são oriundos da contratualização com o Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado de Saúde; R$ 574.800,00 de repasse da Prefeitura Municipal para pagamento de plantões médicos; R$ 36.904 oriundos do pedágio na Rodovia Ramão Gómez, R$ 83 mil também repassados da Prefeitura; R$ 350.902,12 de convênios com planos de saúde e empresas; R$ 300.000,00 do repasse Termo de Ajustamento Judicial (TAJ) assinado entre as prefeituras de Corumbá, Ladário e a Secretaria Estadual de Saúde; R$ 125.996,17 de atendimentos particulares; e 13.154,28 de receitas aluguéis, contribuição de sócios e outros.

Já as despesas que totalizaram R$ 3.737.084,90 são divididas em: pagamentos de médicos – produção do SUS, convênios, e plantões (R$ 690.880,07); aquisição de medicação e materiais de procedimentos (R$ 444.585,09); folha de pagamento/prestadores de serviços (R$ 1.469.565,04); vale-transporte (R$ 20.525,20); bloqueio judicial e multas trabalhistas (R$ 22.845,34); telefone (R$ 16.108,82); plantões médicos repassado pela Prefeitura Municipal Corumbá (R$ 574.800); ações trabalhistas (R$ 43.064,79); despesas com manutenção e higienização hospitalar (R$ 60.819,85); gás GLP (R$ 4.402); material de expediente, tarifas bancarias, Correios e cartório (R$ 19.883,12); impostos, tributos e encargos (R$ 238.563,06); alimentação (R$ 72.534,08); despesas com informática, oxigênio e outros (R$ 58.508,44).