Livro sobre Izulina Xavier está à venda no Art Izu em Corumbá

Arquivo PMC

Cidadã corumbaense e sul-mato-grossense, Izulina, cujas obras são pontos turísticos, faz parte do cotidiano local como patrimônio vivo

Já está disponível para venda em Corumbá o livro ‘Izulina Xavier – Esculturas no ar’. Escrita por Maria Eugênia Carvalho, a obra teve apoio da Prefeitura Municipal, por meio da Fundação de Cultura e Turismo do Pantanal, e retrata a trajetória de vida da mais conhecida artesã de Corumbá, que assina obras em vários pontos da cidade e que se tornaram pontos turísticos. Os exemplares podem ser adquiridos no Art Izu, casa e ateliê da artesã, localizada entre as ruas Tiradentes e Antonio João, no Centro. O lançamento oficial ocorreu na última sexta-feira (30), no Centro de Convenções do Pantanal Miguel Gómez.

Com 40 páginas e ao preço de R$ 5, o livro retrata a saída da artesã da pequena cidade de Simões, no Piauí, em 1925, até a chegada em Corumbá. Ao longo do caminho, Izulina se encantou pelas águas pantaneiras, após anos convivendo com a seca nordestina. Bióloga, mestra e doutora em Ecologia pela Unicamp, a autora Maria Eugênia define a obra como “um pequeno livro sobre uma grande e surpreendente mulher”. “Senti-me nas nuvens ao ler o livro. Antes da Maria Eugênia me procurar, eu estava um pouco doente, desgostosa. Mas ver a obra pronta me deu ânimo novo, até sarei. Fiquei muito feliz”, contou Izulina, com seu característico ar sereno e bom humor.

Ela e o marido, José Xavier, desembarcaram do vapor Fernandes Vieira no movimentado porto de Corumbá, em 1944. Sobre esse dia, como registra o livro, Izulina comentou: “Ah, foi um amor à primeira vista. Um encantamento… Corumbá! O Pantanal! Aquela água toda! Não era mar. Não era água salgada, era doce. Água para beber! É aqui que eu quero ficar. Nunca mais eu vou embora daqui!”. E Izulina cumpriu sua palavra, por aqui ficando desde então.

Ao entrevistá-la, coletando material para o livro, Maria Eugênia recolheu este depoimento que revela como Corumbá e o trabalho de escultora estimulam Izulina até hoje: “Eu vivi no campo, nadei com os peixes, cantei com os pássaros e voei com as borboletas… Já fui muito feliz. E nada me impede, com tudo o que eu passei, de ainda ter minha felicidade. De vez em quando eu me descubro voando, feliz da vida. Uma sensação tão boa, tão gostosa… Quando eu consigo terminar uma escultura que eu gosto, eu fico numa felicidade que você não queira nem saber”.

Cidadã corumbaense e sul-mato-grossense, Izulina hoje faz parte do cotidiano da cidade como um patrimônio vivo. O livro mostra como sua casa foi transformada no Art Izu, ateliê que está incluído no roteiro turístico local, com sua calçada colorida, construída com placas de cimento moldadas e ajustadas artesanalmente, repleta de frases assinadas e marcas de pés e mãos. É a “Calçada da Fama” de Izulina.

Para acesso ao Art Izu, os turistas passam sob um portal esculpido com tuiuiús e, disparando suas máquinas fotográficas, entram em um espaço surreal, com esculturas espalhadas e muros recobertos por desenhos em alto-relevo, como gigantescas páginas impressas que contam histórias. Histórias e mais histórias… Das nações indígenas, do Pantanal, da fundação de Corumbá, da Guerra do Paraguai. Se os turistas derem sorte, poderão encontrá-la retocando um muro ou trabalhando em uma estátua.

Hoje uma senhora octogenária Izulina Gomes Xavier, ou simplesmente Izu, ágil, dona daqueles olhares que acompanham até pensamento, surpreende-nos com revelações sobre sua vida e sua obra no livro publicado pelo Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul. Na avaliação da autora, Com o lançamento do livro, Izulina passa a ocupar o seu lugar de direito: a história!

Autora

Maria Eugênia Carvalho do Amaral atualmente presta assessoria na área de ecologia e biodiversidade, é articulista do jornal O Progresso (de Dourados) e da revista Ímpar (de Campo Grande), e escreve na internet o Blog da Eugênia Amaral, e no site Midiamax News (www.midiamax.com.br/eugenia).

Além do livro ‘Izulina Xavier – Esculturas no ar’, editado pelo Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul (volume XIV da série “Eu Sou História”), Maria Eugênia escreveu a coletânea “Duas Impertinentes Crônicas”, publicada em 2006 pela editora Manole, em co-autoria com Beatriz Xavier Flandoli. “Duas Impertinentes…” foi premiado no 3.° Festival da América do Sul, em Corumbá, com seu lançamento no espaço “Quebra-Torto com Letras”.

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