Banho de São João: Para pesquisadores, registro nacional é viável

Marcos Boaventura
 

Parte do material nacessário ao registro nacional já está concluída, que é o trabalho realizado pela prefeitura para o registro estadual

A Prefeitura de Corumbá já está trabalhando para conquistar o registro nacional do Banho de São João como Bem Cultural de Natureza Imaterial. O assunto foi discutido por pesquisadores e representantes da área cultural na tarde desta segunda-feira (21), no Centro de Convenções do Pantanal Miguel Gómez, marcando o início do arraial, uma das mais tradicionais festas culturais de Mato Grosso do Sul. A avaliação geral é que tal “conquista é viável e palpável”, principalmente após o registro estadual e o prefeito Ruiter Cunha de Oliveira (PT) ter incluído a realização do Inventário Nacional de Referências Culturais da festa entre os 27 projetos corumbaenses para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas.

O encontro foi idealizado pela Prefeitura Municipal, por meio da Fundação de Cultura e Turismo do Pantanal, e contou com a presença da superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Margareth Escobar; Neuza Arashiro, gerente da Fundação de Cultura do Estado; professor e pesquisador Álvaro Banducci Júnior, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS); universitários e festeiros que fazem a festa do Arraial do Banho de São João em Corumbá.

Para o presidente da Fundação de Cultura e Turismo, Carlos Porto, o ‘Bate Papo’ foi de extrema importância, principalmente pelo fato de ter reunido, em um mesmo espaço, pesquisadores, gestores públicos e os festeiros, “todos imbuídos de um mesmo objetivo, que é o registro nacional do Banho de São João, para que se possa fazer com que o Arraial seja uma festa para e de todo o Brasil”.

Porto lembrou que o processo já está em andamento, pedindo para que todos, inclusive os festeiros, unam-se em torno desta possível conquista, que será reconhecimento do Banho de São João como um bem cultural nacional, uma forma de reconhecimento e valorização. A iniciativa foi muito bem aceita pelos festeiros, conforme testemunho de Alfredo Ferraz, que se diz parceiro na busca do registro, a exemplo do que ocorreu em âmbito estadual.

Margareth Escobar afirmou que o registro do Banho de São João é viável e se enquadra nas quatro categorias que constituem os Livros do Registro: Saberes – Conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades; Formas de expressão – Manifestações literárias, musicais, plásticas, cênicas e lúdicas; Celebrações – Rituais e festas que marcam a vivência coletiva do trabalho, da religiosidade, do entretenimento e de outras práticas da vida social; e Lugares – Mercados, feiras, santuários, praças e demais espaços onde se concentram e se reproduzem práticas culturais coletivas.

“Em qualquer uma delas o registro se enquadra e a isso se deve a importância deste encontro. A parceria é fundamental e a participação da comunidade tem que ser maior ainda. Há grandes possibilidades de Corumbá conseguir o registro. Precisamos agora é instruir o processo”, comentou a superintendente do Iphan. Em complemento, ela lembrou que parte do material já está concluída, que é o trabalho executado pela prefeitura e encaminhado ao Governo do Estado para o registro estadual, cuja cópia foi entregue por Neuza Arashiro.

A gerente da Fundação de Cultura do Estado participou do processo que originou o registro estadual da festa. Ela demonstra confiança no registro nacional, principalmente pelo fato de que meio caminho já foi percorrido. “É preciso um plano de salvaguarda do Banho de São João. Aqui isto já acontece, com toda esta festa, a infraestrutura existente e as manifestações culturais. Tudo já é feito”, comentou, lembrando que a cidade está seguindo o mesmo caminho de Belém do Pará, por meio dos Cílios de Nazaré, tradicional festa religiosa da região Norte, reconhecida como Bem Cultural de Natureza Imaterial.

Na avaliação do professor Álvaro Banducci, o Banho de São João sempre foi um tema de interesse de qualquer grupo que estuda e pesquisa a história e cultura de um povo. Para ele, chama a atenção o nível de envolvimento da comunidade e da prefeitura com a festa. “Anos atrás, não havia esta estrutura toda. Tinha até carro de som de político no meio da festa. De 2005 para cá, tudo mudou bastante. A festa é estimulada, o concurso de andores reavivou o espírito da festa, e o Poder Público teve um papel importante sem interferir nas manifestações, como ocorria antes”, observou, lembrando que o registro será fundamental para imortalizar o Arraial do Banho de São João de Corumbá.

Antônio Carlos – Subsecretaria de Comunicação Institucional