Corumbá apresenta trabalho sobre biogás em fórum nacional

A possibilidade da produção de biogás a partir do lixo urbano produzido em Corumbá, Ladário e cidades bolivianas de Puerto Quijarro e Arroyo Concepción foi apresentada pela secretária executiva de Meio Ambiente de Corumbá, Luciene Deová, durante o Fórum Brasileiro de Energia, realizado na semana passada, na cidade de Bento Gonçalves-RS. O trabalho foi tema da dissertação de mestrado defendida por ela no ano passado na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), no qual calculou o metano produzido pelo lixo coletado nas duas cidades brasileiras em nas localidades bolivianas, na divisa com Corumbá.

A partir desses dados, foi calculada a geração de energia renovável disponível e a quantidade de crédito de carbono comercializável no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) para um aterro sanitário na fronteira Brasil e Bolívia, no Pantanal. “É uma oportunidade de estarmos buscando parcerias e, quem sabe, investimentos na região de fronteira, no Pantanal, divulgando mais esse potencial”, disse Luciene, destacando que é possível investir em energia barata e renovável, aliando desenvolvimento e conservação ambiental.

O incremento do aquecimento global em função das emissões antrópicas de gases de efeito estufa (GEE) tem sido discutido mundialmente para buscar alternativas que promovam a redução das emissões desses gases na atmosfera. Dentre as emissões antrópicas globais, devem-se considerar aquelas oriundas da geração e destinação final de resíduos sólidos. Luciene acentuou que o trabalho aborda uma proposta de gestão de resíduos sólidos urbanos com o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, especialmente CH4 (metano), pela recuperação de biogás e geração de energia elétrica renovável em Corumbá, Ladário, Puerto Quijarro e Distrito de Arroyo Concepción.

“Os múltiplos fatores relacionados à gestão de resíduos transcendem fronteiras e requerem uma abordagem regional e a implementação de ações de cooperação entre os dois países, que podem se beneficiar mutuamente dessas ações”, explicou a secretária, acrescentando: “Em função dos dados populacionais e de geração potencial de resíduos, um aterro sanitário na região de fronteira poderia recuperar cerca de 900 toneladas de CH4 por ano, o equivalente a 3,5 GWh de energia renovável por ano”.

Para a secretária, esta energia poderia ser, em parte, utilizada em cooperativas de coleta seletiva de lixo, como também destinada a serviços sociais, como iluminação de vias públicas. Ela salientou também que, por meio de fontes financiadoras que incentivam a redução de emissões de gases de efeito estufa, é possível gerar uma receita partilhada de aproximadamente US$ 112,5 mil anuais. “Essas estimativas indicam que, além de reduzir impactos locais (contaminação dos recursos hídricos e solos pelo lixão), um aterro sanitário é interessante também do ponto de vista socioeconômico na região de fronteira, no Pantanal”, conclui.

Antônio Carlos – Subsecretaria de Comunicação Institucional