Servidores cumprem primeira etapa do Programa Povo das Águas

Prefeitura de Corumbá
 

Profissionais de diversas áreas sociais enfrentaram todo tipo de obstáculo para chegar às comunidades e levar atendimento

Levar atendimento de saúde e assistência social às famílias residentes nos mais distantes recantos da maior planície alagável do mundo não é tarefa das mais simples e práticas. Com perdão do clichê, pode-se dizer que não se trata realmente de um passeio no parque. Para começar, do momento em que a secretária especial de Integração das Políticas Sociais, Beatriz Cavassa de Oliveira, desejou boa viagem aos 20 servidores da Prefeitura de Corumbá – integrantes do Programa Social Povo das Águas –, ainda no Porto Geral da cidade, até o último local de atendimento, foram pelo menos 15 horas de viagem, abaixo e acima, pelos rios Paraguai, Paraguai Mirim, Negrinho e Taquari.

De ‘lancha’ e de barco a motor – as tipicamente pantaneiras voadeiras –, profissionais de diversas áreas sociais enfrentaram todo tipo de obstáculo para chegar às comunidades da região do Paiaguás, nordeste do Pantanal sul-mato-grossense, à margem esquerda do rio Taquari – conhecido pelos perigosos bancos de areia resultantes do assoreamento. Como público alvo, as famílias típica e profundamente pantaneiras, escondidas entre corixos e camalotes, cujas moradias só podem ser acessadas, em alguns casos, de barco a remo e zinga, e em outros, é possível ‘aportar’ nas sedes das colônias, aonde as famílias chegam a cavalo ou de trator, saídas de estreitos ‘trieiros’ em meio à mata.

A aventura começou às 21h30 da quinta-feira (25), como a primeira etapa do programa que tem o objetivo de levar, ao longo de todo o ano e às principais regiões do Pantanal, serviços médicos e odontológicos, medicamentos, vacinas, alimentos, produtos de limpeza, assistência social e cadastramento para programas sociais de todas as esferas do Poder Público. “Em nome do prefeito Ruiter (Cunha de Oliveira – PT) e de toda a Administração, agradeço a coragem, o desprendimento e a dedicação de todos vocês que deixam suas casas e famílias para passar três dias embrenhados no meio do Pantanal e levar ajuda e assistência a quem mais precisa”, disse a secretária.

“Sabemos que não é uma viagem de turismo, e que muitos são os desafios e dificuldades que vocês enfrentarão nesta empreitada. Mas a tarefa é digna e gratificante, pois vocês estão fazendo algo que jamais será esquecido por aqueles que estão lá, a tantas horas e tantos quilômetros da sede de nosso município”, completou Beatriz. E ela tinha razão, pois, somente após uma noite inteira de viagem, a bordo do barco hotel Éda Ipê – que em nada lembrava uma chalana de passeio e cujos motores tantas vezes berraram para escapar dos bancos de areia –, é que de fato o trabalho começava para atender às comunidades do Corixão, Cedro, São Domingos, Bracinho, Figueira e Sairu.

Ao longo dos três dias seguintes à viagem, a equipe se divide em grupos menores, que seguem com os barcos cheios de equipamentos – como cadeiras e esterilizadores de dentista – e ajuda social, como sacolões, cobertores, brinquedos e até jornais e revistas. Em cada comunidade, grupos entre nove e 152 famílias se reúnem ansiosas para receber o atendimento que chega. De um dente obturado até um carrinho de plástico para o filho, de um benefício social e um analgésico para dor de cabeça, cada elemento da ação social levada pelos servidores municipais é recebido como se fosse a peça que faltava para a vida, em toda a essência pantaneira, tornar-se um pouco mais amena e suave.

As longas filas que se formam embaixo dos pés de figueirinha ou sete copas, em frente às mesas improvisadas – e sobre as quais as profissionais da área social cadastram os moradores, e os médicos ouvem descrições de dores e enfermidades – retratam fielmente o que os ribeirinhos dizem prontamente. “Bão, né? Puuuuxa… Ainda mais pra gente aqui que mora tão longe, esquecido, e não tem condição de ir pra cidade”, afirmam, quase repetindo uns aos outros no discurso, contando que chegam a passar um ano inteiro sem ir a Corumbá, e lembrando como suas comunidades costumavam ser esquecidas por décadas e privadas de qualquer presença do Poder Público.

Como fez questão de lembrar a secretária Beatriz, o Povo das Águas é resultado da ação Prefeito Presente, por meio da qual Ruiter visitou as comunidades para ouvir os anseios e reivindicações da população ribeirinha. “A intenção é que nós, Poder Público, estejamos presentes de três em três meses em cada região, atendendo da forma mais frequente possível aquelas comunidades”, explicou, completando: “Sabemos que estamos levando apenas o básico, mas que supre uma carência histórica daqueles moradores, que têm afirmado nunca terem recebido antes desta gestão, em suas próprias casas, qualquer tipo de serviço ou benefício como os que estamos levando agora”.

Leia mais detalhes em breve.

Gesiel Rocha – Subsecretaria de Comunicação Institucional